quarta-feira, 14 de outubro de 2009



A lua de prata
no céu se esconde.
As estrelas pingam
lágrimas de saudade.
A noite grita
dentro de mim o teu nome.

E porque vens e desmonta minha casa
põe abaixo minhas certezas e meus véus
e toca sutilmente minha mão e isso basta
pra que meus sentidos aflore e eu esmoreça.

Me coloca asas para que eu voe até o infinito
e nada mais importa a não ser teu universo
e eu subo aos céus pra alcançar teus passos
que te levam sempre para outros caminhos.

E penso talvez melhor que nem viesse
que não olhasse mais em meus olhos
nem me desse abrigo na noite vazia
mas meu coração te chama e eu fico inerte
e se não vens fico sempre à tua espera.


E quando chegas sinto as cores do mundo
pulando de caixas coloridas
e desenhando o caminho de onde vens.
Em tuas pegadas fica o perfume das flores
e de tuas palavras brotam raízes
que num emaranhado me envolvem
e me prendem para sempre junto a ti.
E me sinto afoita e desassossegada
porque só você consegue
fazer meu coração mudar de lugar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009


Existe uma criança que sorri para o mundo
e toca nas nuvens quando dança na ponta dos pés.

Existe uma criança que acredita em sonhos
e em fadas que voam com pó encantado e palavras mágicas.

Existe uma criança que corre descalça e brinca no parque
e faz de conta que estrelas são pingos de felicidade que caem do céu.

Existe uma criança que pinta com as cores que o arco-íris empresta
e acredita que o amor é um afago na face depois da tormenta.

Existe uma criança que gosta de jujubas e abraços
e sonha com um mundo onde não exista injustiças nem dor.

Existe uma criança que enfeita o mundo com palavras
e que teima em existir para sempre aqui dentro de mim.

sábado, 3 de outubro de 2009

Da janela de cá
para a janela de lá
de um coração agradecido
para outro coração amigo

Abro a mesma janela
todos os dias
puxo a cortina
o sol entra ou a chuva molha a vidraça.
E é assim
dias que se acumulam na vida que se vive.
Amigo!
Bom dia!
Sempre, todos os dias!
Me fala de coisas boas e do amor de Deus
eu tenho fé
acredito
mas gosto de saber que lá
em um lugar distante
tem alguém que não me deixa
esquecer Dele.
Distante?
Nem tanto!
Presente, apesar da distancia.
Já me mandou presentes
lindas sandálias de sua terra quente!
E eu fico aqui
deste lado da tela
sempre abrindo a mesma janela.
Bom dia!!!

Quase tudo passa

Passam pássaros em voo procurando novas terras.

Passa um vento assoviando e levantando meu vestido.

Passa o pente no cabelo que desliza em seda fina.

Passa uma menina contente correndo de pés descalços.

Passa um menino peralta andando de bicicleta.

Passa a novela das oito e a sessão de domingo.

Passam dias sorrindo quando abro a janela.

Passa fitas, passatempo, passarada, passarinho.

Passam dias, meses, luas, estações.

Só não passa esse amor.

Você está

No vento que balança os ramos da árvore
Na árvore onde brotam flores e nascem frutos
No sabiá que canta no alto do galho
No beija-flor que bate asas ligeiras

Na chuva que cai em pingos finos
No arco-íris pintando o céu de ilusão
No mar salgado e sua espuma branca
No sol quente que toca a pele feito beijos

Nas letras do poema, na melodia da música
Nas estrelas da noite, na lua dos amantes
No pensamento furtivo, na letargia das horas
No caminhar do tempo, no desenrolar da vida

No compasso do coração
Você está.

sábado, 26 de setembro de 2009


A menina usava um vestido rosa felicidade com poás que pareciam confetes de chocolate cobertos com corantes de diversas cores.
Uma presilha de borboletas prendia delicadamente os cabelos deixando alguns fios soltos dando um ar de leveza ao rosto iluminado pelo sol daquela manhã de setembro.
As mãos levantadas ao céu como que em prece pareciam tocar as nuvens e os pés descalços na areia sentiam a vida brotando em cada célula.
O vento murmurava e o mar carregava ondas que arrebentavam na praia e lhe causavam uma alegria incontida.
No peito o coração crescia como balão inflado em dia de festa e dentro trazia guardada a vontade de continuar sonhando em para sempre ser menina.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

E a primavera chega novamente

E o dia nasce no horizonte com um céu azul sonho refletido nas águas que banham uma ilha com ruas repletas de ipês que florescem roxos, em tons de rosa e na maioria amarelos.
São dias de sol ameno em que os pássaros saúdam as manhãs e cantam nas árvores e em cima dos muros presenteando o mundo com suas melodias.
A natureza brota em sua majestosa essência e as flores que nascem chamam as borboletas que cortam o ar em ziguezague com suas asas de bailarinas.
As joaninhas mais lentas escorregam pelas folhas e o orvalho da manhã banha docemente a grama verde onde descansam os seres invisíveis aos nossos olhos tão encantados com as coisas não tão ínfimas.
Nascem margaridas que sorriem com pétalas brancas e enfeitam os jardins e se desfolham nas mãos de meninas sonhadoras brincando de malmequer.
Irradiam auroras com cores de arco-íris e perfume de jasmim e rosas e a tarde se demora um pouco mais para dar lugar ao entardecer.
E a natureza refulge em perfeita harmonia e segue seu curso alheia a vontade do homem que marca no calendário e sonha com os dias de luz que virão.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lutas Internas

Há um vazio de nada preenchendo meu todo e uma dor traiçoeira que me apunhala pelas costas.
Há um combate feroz dentro de mim que me revira as vísceras e me sangra os olhos.
Há um silêncio que grita e ecoa pelos cantos da sala e faz tremer as paredes e sacudir minha alma.
Há uma brecha de luz que entra pela fechadura tentando me dizer em desespero que talvez ainda exista tempo.
Há um tempo que se arrasta no desenrolar das horas e gira o globo da minha consciência.
Há um clipe, um papel, uma caneta, um porta-retrato com dois olhos que me afagam a face.
Há uma vida em mim, ainda.


Saudade

A saudade quando chega e se instala silenciosa no peito
nos deixando náufragos e com o coração em escombros
faz lembrar uma tarde de aves a revoar para longe
ou de um barco solitário no mar a procurar por seu porto.

Saudade de um amigo distante a quem muito amamos
e que não vemos a hora de abraçar novamente
de contar histórias e compartilhar outras alegrias
e correr para a vida de mãos dadas como crianças.

Saudade do mar companheiro que saudamos com honra
nas manhãs ensolaradas quando o sol risca o horizonte
e que se faz presença no cotidiano de nossos dias
mas ao pensar em dele ficar distante o coração aperta.

Saudade de alguém que se foi para o desconhecido
para um mundo distante e que nunca mais veremos
mas em um cantinho dentro de nós ficará guardado
e a saudade será para sempre a eterna companheira.

Saudade do amor perdido que deixou tudo às avessas
e do beijo que passeava na pele e calava na boca
das palavras com gosto de festa que saiam dos bolsos
e sempre enfeitavam a vida com punhado de flores.

E assim vamos sentindo saudades todo dia um pouco
e um pouco mais cada vez que alguém vai embora.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

para Sergio beija-flor-poeta

beija as pétalas da rosa que sorri e te rouba o perfume
beija os versos do poema sem rima nem teorema
beija a face da lua em seu rubor no céu pendurada
beija a mão do destino que te fez tão doce e tão menino
beija a manhã ensolarada que te acorda para beijar o dia
beija-me meu beija-flor!

Ao Encontro do Arco-íris

Vestiu seu melhor vestido, aquele enfeitado de borboletas e fios dourados de sol.
Calçou os sapatos que guardava para ocasiões especiais e pegou apenas uma bolsa minúscula, onde guardaria algum achado que não lhe pesasse no caminho e que por ventura fosse importante.
Tingiu os lábios com batom carmim e nos olhos colocou o brilho das noites enluaradas.
Olhou-se no espelho e ajeitou o coração no peito que estava um tanto desacomodado das idas e vindas ao nada e das esperas inúteis.
Beijou a boneca de pano sobre a cama deixando a marca de batom na face rosada que lhe sorria.
Parou por um instante e pensou em quanto tempo havia esperado por aquele momento e em quantas vezes desistiu de percorrer o caminho que a levaria à seus sonhos.
Desta vez não voltaria a guardar os sonhos na caixinha de pandora, algo dentro dela gritava para que seguisse e assim seria.
Retocou o batom, colocou a bolsinha a tiracolo, ajeitou os pensamentos e abriu suas asas.
Ao longe no horizonte como que lhe dando boas vindas, já podia avistar as cores do arco-íris.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Coisas que eu faria se me restasse apenas um dia:

Colheria lírios no campo da paz e enfeitaria minha sala e o branco do meu olho.

Andaria solta no vento e sopraria um beijo para além do além mar.

Dançaria sem sapatos na nuvem de algodão e ouviria os sons do universo até então inaudíveis.

Pintaria o horizonte de púrpura e jogaria pétalas na estrada por onde teus pés pisassem.

Pegaria um punhado de estrelas e juntaria folhas de alecrim e cheiro de canela pra te dar de presente.

Usaria um vestido de renda com lindas matizes e um cabelo de cintilar dourado.

Teria uma boca de rosa e rosas no jardim para perfumar a manhã e enfeitar a tarde.

Não fecharia o olho nem por um segundo para não perder o doce movimento do tempo e o desenrolar das horas.

E quando a tarde virasse noite e os últimos raios do sol dessem adeus ao dia ouviria apenas o grito do meu amor ecoando no peito.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

E sinto assim uma quase vertigem quando te vejo. E resvalo em teu peito bem devagar e encosto em teu dorso. E sinto teu calor me dilatando os poros e o mundo gira feito pião lançado ao chão por mãos hábeis de menino que brinca. E com teus dedos me dedilha e me toca como violino e eu viro música. E feito uma menina eu subo em teus pés e você comigo dança. E a canção é nossa e a vida é plena e cheia de risos.

Entretantas ontem!

Dois pares de azaléias – lilases!
E eu descobri que lilás é minha cor preferida
não de flores, porque essas eu prefiro brancas,
mas de outras coisas
como blusinhas de verão ou dias de primavera.

No mangue entre as árvores estava o pássaro – branco!
No meio do mangue a banhar-se.
E eu só fiquei admirada olhando o pássaro
transformando-se em parte do mangue.

E isso aconteceu ontem, porque ontem eu sai pra conhecer o dia.

sábado, 5 de setembro de 2009

A noite batia na porta
a chuva escorregava no telhado
o que sobrava eram pensamentos
e o imenso nada que ficara
no lugar onde tu preenchias.

E um desejo maior que o peito
queimando
rasgando
um desejo sem nome.
Quando a saudade chega
às escondidas e sem aviso prévio
nos deixa assim em desassossego
e tudo à volta só lembra a pessoa que está distante.
É um nó no peito que não desamarra
um suspiro que não acaba
uma falta que nada preenche.
Poeminha inspirado
Dormia o sol quando te encontrei
e a lua dançava pendurada no céu.
Você chegou com todo seu encanto
e disse que eu era sua amada.
No céu houve um brilho de prata
e na terra choveu estrelas.
Ao Poeta
Vi uma luz que vinha em minha direção
de intenso brilho e variadas cores
dependendo da forma como eu olhava
tinha o azul do céu ou o vermelho do sol
a doce cantiga dos anjos
ou sonoras melodias de amor.
Se eu olhasse com mais cuidado poderia até ver
meninos correndo em desatino atrás de uma pipa
ou até mesmo um riacho da minha infância
onde eu nadava sem medo do perigo.
Vi por um instante assim de relance
a face do homem que mágico e rapidamente
voltou a ser encanto.
Escrevo porque meu mundo interior é feito de palavras e elas são para mim como o néctar da vida. Escrevo sem pretensão de querer ser além do que sentimentos expostos transformados em versos e que saltam de mim para o mundo. Misturar letras é tão necessário quanto respirar muitas vezes e ficar sem as palavras seria como morrer ou viver em um eterno limbo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Foto Poema
Meu amigo Delei foi em Salvador/BA e olhando as fotos que ele tirou lá, me deparei com esta. Ela não necessita de palavras pois por si só, é uma poesia.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sol de março

Te encontrei numa tarde de sol de março
quando um leve vento batia em meu rosto
e já anunciava os dias frios que logo viriam
teus olhos queimaram os meus num olhar de desejo
e desde então nunca mais fui a mesma.

Você chegou e me trouxe encantos
e se fez meu o teu ar, teu canto, teu regato
mas foram-se os ventos de março e você também
ficou o sereno das tardes geladas e sombrias
ficou o frio da saudade e a derradeira solidão.

E vazia de tua presença nos dias todos que vieram
fiquei clandestina à espera de um cintilar de auroras
e na névoa que cobria meus olhos antes de fogo
ficava sempre implícita a promessa do vento
e do sol de março que te traria de volta.

Mas muitos invernos passaram
e até hoje só o verão é que me aquece.

sábado, 29 de agosto de 2009

O teu calor

Você tem o calor dos dias de verão
daqueles dias em que a brisa sopra
e trás com ela o sol incandescente
que chega se apossando, queimando,
deixando marcas.
Você tem o calor do aconchego
da cama quente em dias de inverno,
do chá de maçã com canela,
da bala de hortelã ardendo na boca,
e das longas horas de nada fazer.
Você tem o calor da palavra certa,
da presença na hora necessária,
e do amor na hora precisa.

E quando chegas assim, tão quente
de sorriso aberto e braços longos
tenho quase a certeza
de que o mundo inteiro
caberia em teu abraço.

domingo, 23 de agosto de 2009

O suave perfume da noite entrou pela minha janela, uma mistura de aroma de flores com cheiro de terra molhada.
Um raio de lua e um brilho de estrela cadente e uma saudade de algo que nem eu mesma sei o que é, mas que se instalou no peito nesta fria noite onde uma esperança também nasceu.

Quero o amor manso que acalma o peito

Quero o amor louco que balança o corpo

Quero o amor leve que faz voar a alma

Quero o amor forte que leva às alturas

Quero o amor puro que me torna anjo

Quero o amor insano de quem faz loucuras


E toda palavra vinda
linda
é benvinda

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recomeçar e pegar em algum lugar a esperança que se perdeu naquele breve momento em que você por um descuido fechou os olhos quando não devia. Um vacilo basta às vezes para que nada mais volte a ser como antes. Um caminho, um atalho e a vida muda seu curso. Uma esperança que volta é sempre melhor do que um rumo contínuo e previsível. Vida boa é aquela que te surpreende, que te exige mais do que dias amenos. Quero que o sol me queime e o vento balance meu cabelo, não quero viver só de brisa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

  • Coisas das quais tenho saudade:
  • Um colar de conchas do mar que se desprendeu de mim e voou num dia de vento sul.
  • Um caderno antigo de poemas que esqueci na janela num dia de chuva e que molhou misturando todas as letras.
  • Um par de sapatos de boneca que eu usava só em dias de festa e que deixou de servir porque o pé cresceu.
  • Uma coragem desmedida de fazer coisas que pareciam loucuras, mas que sempre davam certo.
  • E um olhar de paisagem que perdi quando você foi por um instante e nunca mais voltou.
Andava descalça pelas ruas de paralelepípedos contando os blocos um a um como se quisesse fazer deles minutos e deixar para trás as horas pisadas e para sempre esquecidas.
Sentia vontade de cantar, não uma canção qualquer, mas uma canção que pudesse dizer para quem escutasse sua urgência de vida.
Ultimamente não queria saber de coisas pequenas nem de dores antigas, algo novo nascia em cada piscar de olhos e havia desejos novos como salamandras a deslizar em sua mente.
Seria capaz de criar asas novas e desbravar as fronteiras do nunca antes imaginável porque agora tinha a chave que abria a porta dos dias de riso e das noites que se transformariam em remanso.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Como as pedras dos rios
faço meu silêncio
e calo meu grito
porque se minha voz ecoar
serei cachoeira
E é quando amanhece
que o canto das águas toca os mares
e o horizonte se abre ao dia que nasce
que os pássaros tem o dom de pensar
e os abissais buscam um raio de luz
no profundo do oceano.

E nesta hora de encantamento
onde cada ser renasce um pouco
na imensidão de um cosmo iluminado
qualquer palavra pronunciada se fará eco
e se num instante assim eu disser te amo
minhas palavras logo serão ouvidas
por isso me calo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Eu sobrevivi ao temível julho, finalmente chegou agosto e hoje o dia me recebeu com um lindo sol de sonrisal. Uau!!!


E é sempre assim, todo ano a mesma coisa. Dias frios de um inverno que parece interminável. Dores que se misturam, de pele, de alma, de anseios e de ossos que gelam. Nada parece acalentar o frio que se instala.


E sempre me vi temendo o inverno e tremendo nas noites frias e nos dias gelados. Quantos invernos já vi passar e nunca, nunca lembro de um que possa ter sido levemente ameno. São cruéis e impiedosos os invernos e sempre trazem dores.


Mas hoje, especialmente hoje, neste dia de inicio de agosto eu já sinto os raios de sol em forma de promessas. Ah, e quando chegar a primavera verei as flores desabrocharem dentro de mim e sentirei o perfume dos ipês-amarelos que povoarão as ruas de minha imaginação.

domingo, 2 de agosto de 2009

Noite de lua oculta
e de estrelas que se escondem
de chuva que banha a terra
e cheiro de amor distante

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Riscando o horizonte o sol nasce

penso em você quando amanhece.


Um sol a pino e um céu sem nuvens

penso em você quando o dia está ao meio.


Um sol mais tímido querendo dar aceno

penso em você e um sorriso chega.


Um céu na penumbra e um sol de partida

penso em você e a saudade aperta.


Na noite escura a lua aparece

penso em você e as estrelas brilham

terça-feira, 28 de julho de 2009

Bem em frente à janela havia um jasmineiro e quando o final do inverno se aproximava já podia ver os botões das flores que viriam.

Convivia com aquele jasmineiro há muitos anos e pensava que ele assim como ela não gostava de inverno a julgar pelas flores que nasciam no final de cada estação gelada.

Flores brancas e perfumadas das quais sentia o aroma que adentrava pela janela e inundava seus pulmões.

Quando a árvore encontrava-se bem cheia de flores roubava alguns botões e guardava em algum lugar onde pudesse sentir o cheiro bem mais próximo.

Durante os dias tristes de inverno quando uma flor ou outra brotava era como se um fio de esperança nascesse, mas a flor morria muito rápido e não havia outra em seu lugar e isso era motivo pra que seu coração sentisse aquele aperto tão costumeiro dos dias de frio.

E quando acabava a primavera o jasmineiro se recolhia e ficava ali quietinho com suas folhas verdes esperando a nova era de flores chegar.

E ela passava por ele e respeitava seu silêncio de flores porque com a chegada do sol de verão era a sua vez de recomeçar a viver.

sábado, 25 de julho de 2009


Meia dúzia de sempre-vivas mortas


um calendário antigo com datas marcadas


uma saudade boba de quem nunca foi nem veio


um beijo que roubei na passada do vento


um carretel com um restinho de linha frutacor


um cisco de um olho que chorou muito


um aceno de adeus que nunca mais voltou


duas gotas de orvalho de uma manhã de setembro


a chave que abriu o coração e nunca mais fechou


um barquinho que perdeu o remo e o rumo


uma fita que desamarrou um segredo escondido


meio sorriso amarelado pelo tempo


um suspiro derretido pelo olhar de alguém


um restinho de perfume de um amor antigo


um sonho de menina cortado ao meio


e uma caixa de giz de cera.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aurora Boreal

Abriu o livro nas páginas onde estavam guardadas as pétalas secas.

Fechou os olhos e sentiu o perfume das flores brancas.

Duas mãos quentes seguravam as suas e em meio às flores os dedos entrelaçavam-se.

Uma borboleta dançou no jardim ao lado e de seus olhos saíram faíscas de felicidade.

Um passo mais à frente e as flores quase amassaram entre os corpos.

Um beijo de lábios famintos numa manhã de setembro.

No peito uma aurora boreal nascia e a vida nunca mais seria a mesma.

Abriu os olhos, fitou as pétalas secas, olhou para o dia frio e escuro de inverno, esqueceu a aurora boreal e fechou o livro.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Às vezes na minha solidão
eu te procuro
Às vezes em meio a tanta gente
eu não me acho.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Violetas
cheiro de chão
pólen de açafrão
beijos de borboletas.

Borboletas
ramos de alecrim
cheirinho de jasmim
perfume de violetas.

E asas de colibris
rápidas e fagueiras
e alma faceira
querendo ser feliz.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Gerânios na Janela

Era uma casinha branca e na frente havia uma janela enfeitada com gerânios coloridos. Ela costumava ficar debruçada na janela por horas a fio como se o mundo fosse apenas aquele espaço e a vida um eterno esperar. Observava as pessoas que passavam e em cada uma delas via algo que lembrava alguém e como um quebra-cabeças ia juntando pés, pernas, cabelo, nariz, boca, cada pedaço de cada um para formar um outro absurdamente intocável, inviável, impossível de se ter.
Quando o sol batia nas árvores e formava sombras ela brincava com sua imaginação e até podia correr com ele pelas calçadas e ruelas da cidadezinha onde morava.
E quando chovia espiava pelo vidro molhado da janela e era até mais fácil de imaginar dele os contornos por entre os pingos que por vezes misturavam-se com suas lágrimas de saudade.
Nos últimos dias andava com uma sensação estranha de que algo novo iria acontecer, não sabia o quê, mas desconfiava ser algo bom, por isso vestia suas melhores roupas e tentava colocar sorrisos no rosto embora muitas vezes com certa dificuldade.
Tinha planos para quando ele chegasse e sabia que chegaria, seu coração dizia disso. O esperaria no portão e na ponta dos pés o beijaria. Um abraço sem fim e o segurando pela mão entrariam. Fecharia a porta e a janela e do lado de fora ficaria o resto do mundo e os gerânios coloridos.

sábado, 4 de julho de 2009

Havia pedras em silêncio
e flores que cresciam
sob o orvalho que caia
e pássaros que dormiam
pendurados nos galhos
onde durante o dia
o sol havia estado.

Havia luzes foscas
nos postes das ruas
e inúmeros bichinhos
atraídos e grudados
pelo falso brilho
da suposta lua.

Havia o latido
de um cão solitário
perdido no escuro
e um gato no muro
ligeiro e matreiro
à procura de caça.

Havia uma cama
com lençóis de cetim
e caixinhas mágicas
para dar de presente
para cada menina
que ainda acredita
em todos seus sonhos.

Havia na noite
um perfume de flores
que veio de longe
nas asas do vento
e chegou me dizendo
que era seu cheiro.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Encontro

E olharam-se nos olhos durante longos minutos até que as pupilas dilatassem e os corações tivessem um pouco de calma.
Corpos, pensamentos, fragmentos de uma história e um sol de setembro.
Vento, desejos e algodão de nuvens passeando no céu.
- Então, está se encontrando em meus olhos? Perguntou ele.
- Não, estou me perdendo. Respondeu ela.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ajeitei um maço de flores
margaridas preferidas
peguei ramos de alecrim
para misturar os cheiros
e amarrei numa fita.
Depositei ali um beijo
um tanto da minha vontade
todo meu coração
coloquei em tuas mãos
e matei minha saudade.

Lou Witt

As flores que te dou
são as flores que vejo,
perfumes que viajam
no tempo e na memória,
as cores mais perfeitas,
regadas pelo orvalho
e aquecidas pelo sol.
Duram para sempre
as flores que você
me faz sempre lembrar.

Alvaro Bastos
E foi assim
quando te vi pela primeira vez
no outro lado da rua
quando a chuva caia
fina quase uma garoa.
E num breve instante
quando te avistei
em meio a tanta gente
e meu coração de sobressalto
me avisou que eras diferente.
E foi ali
naquela tarde de chuva
que meu destino foi selado
e que na multidão eu te escolhi
para sempre ser meu amado.

sábado, 27 de junho de 2009

Mesmo sem sol
e a chuva querendo ser presente
hoje o dia acordou
com cara de esperança.
Porque hoje é sábado
é todos os sábados
são azuis
mesmo tendo chuva.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E quando chegas
trazes margaridas
e cobre minhas mãos
com o doce aroma
que delas exala.
E brancas como garças
são as margaridas
que como meu coração
criam longas asas.
E voam no vento
as margaridas
e cada pétala é um beijo
que docemente depositas
em minha boca.

sábado, 20 de junho de 2009

Tempo de esperançaQuando ela chega
e pinta nossa face com sorrisos
de todas as cores
e a cada nova manhã
nos faz acreditar que sonhos
podem acontecer
é chegado um novo tempo.

Costuma-se ficar ao sol
feito gato com preguiça
e pegar um pouco de vento
que nem botão de flor
recém-nascido na terra molhada.

Houve-se música o dia todo
e os pés às vezes alcançam as nuvens
o amor é o que tem de melhor
os dias são sempre azuis
as noites de sono inteiro
e o acordar de brilho nos olhos.

Este é um novo tempo
o tempo em que
a menina esperança
renasce em nós.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Que encanto tem
as coloridas flores e pimentinhas
que todo sábado enfeitam a alfandêga?

Que magia me atrai
e me deixa horas a caminhar
em meio às barracas da feirinha?

Será que alguma bruxa
desta encantada ilha
me enfeitiçou para sempre?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ChoveChove lá fora
nas ruas, calçadas
árvores, folhas e frutos.
Chove nos telhados
nos lagos, nos mares
e mantos dos rios.
Chove nos sapos e flores
nos guarda-chuvas
e nos pés dos andantes.
Chove na janela
no vidro do carro
na asa do pássaro
e na areia da praia.
Chove no banco da praça
na ponte de ferro
no cimento do prédio.
Chove na montanha
na grama fininha
na rua comprida.
Chove aqui dentro de mim.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu te vejo no sol de cada dia
que entre as brancas nuvens
vem sempre me trazer calor.
Eu te vejo na prata da lua
que rodeada de estrelas brilha
e me ensaia um sorriso.
Eu te vejo no manto azul do mar
que em suas profundezas e mistérios
parece sempre querer me abraçar.
Eu te vejo no pássaro que canta
e com sua doce melodia
rouba meu coração.

domingo, 7 de junho de 2009

Frio que dói na alma

Eu me pergunto onde foi parar o meu sol quente que me aquece por um tempo, mas que todo ano por uma força da natureza me abandona e me deixa a mercê de um frio que machuca cruelmente. Nestes dias de frio que me consome eu recordo do mar e do céu sempre azul.
Da areia nos pés e das ondas me beijando e me levando mar adentro.
Eu sinto no rosto o vento com cheiro de maresia e ouço o murmúrio das ondas como sussurros de amor.
Ouço o bater das asas das gaivotas e o balançar das águas ao nadar dos peixes.
Fico a imaginar os barquinhos navegando, marolando, deixando espuma no mar.
E uma saudade se apossa do meu peito.
E o desejo que os dias de gelo passem logo brota no coração.
E a alma já congelada fica tão somente à espera que os dias quentes voltem e com eles a esperança e novamente a vida.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Crinas ao ventoEra tempo de seguir estrelas
e ver desenho nas nuvens
molhar os pés na água da chuva
e correr até virar a esquina.
Era tempo de ser menina
e deixar a vida solta nos dedos
o vento batendo nos cabelos
e o sonho no brilho dos olhos.
Era tempo de esperança
e na calçada pular amarelinha
e de pensar que o amanhã
viria montado em um cavalo branco
com crinas balançando ao vento
desafiando espaço e tempo
e selado de felicidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

EleTrazia nas mãos as cores do arco-íris
um feixe de alecrim e margaridas
e nos olhos constelações de estrelas.
A voz doce era quase um sussurro
e as palavras de puro encantamento.
Tinha nos lábios um sorriso que ao nascer
era como o sol brilhante de setembro
e na boca o agridoce das pitangas
que até hoje trago guardado na boca.
O sol brilha no meu dia
pela janela entreaberta
seus raios penetram
e em segredo bem sei
que é mais que calor
que eles me trazem.

Beijos de longe
chegam
na viagem do sol.