quarta-feira, 3 de junho de 2009

Crinas ao ventoEra tempo de seguir estrelas
e ver desenho nas nuvens
molhar os pés na água da chuva
e correr até virar a esquina.
Era tempo de ser menina
e deixar a vida solta nos dedos
o vento batendo nos cabelos
e o sonho no brilho dos olhos.
Era tempo de esperança
e na calçada pular amarelinha
e de pensar que o amanhã
viria montado em um cavalo branco
com crinas balançando ao vento
desafiando espaço e tempo
e selado de felicidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

EleTrazia nas mãos as cores do arco-íris
um feixe de alecrim e margaridas
e nos olhos constelações de estrelas.
A voz doce era quase um sussurro
e as palavras de puro encantamento.
Tinha nos lábios um sorriso que ao nascer
era como o sol brilhante de setembro
e na boca o agridoce das pitangas
que até hoje trago guardado na boca.
O sol brilha no meu dia
pela janela entreaberta
seus raios penetram
e em segredo bem sei
que é mais que calor
que eles me trazem.

Beijos de longe
chegam
na viagem do sol.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Simples Quero pouca coisa desta vida
manhãs de sol batendo na janela
noites de estrelas caindo nos olhos
teu sorriso no meado das tardes
e tua mão em todas as estradas.

Que boneca é esta
de laços e fitas
de cores e sonhos
que encanta a menina?

Que boneca faceira
cheirosa e brejeira
que a menina carrega
pendurada nos ombros.

Cabelos de linha
vestido de renda
sorriso pintado
boneca de pano.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O amor é a vaga que sobe,
o equilíbrio da espuma que canta
e o arrepio que vem do verde-azul.

É não sentir com os pés o fundo,
mas mesmo assim ver e respirar,
flutuar como uma alga vermelha
ou um ninho perdido de albatroz.

O amor é viver no alto da onda
o medo do escuro e mergulhar,
história de sereia e marinheiro,
e sugar o último fôlego da vida.

Alvaro
O amor é assim
feito flor de campo
no vaso da sala
como grama verde
brotando esperança
na jardim da casa.
O amor é asa
é cheiro de mato
é lua que desce
e beija nossa face.
O amor é saudade
é nuvem de chuva fina
é queijo com goiabada
é milkshake escorrendo
na doce taça da menina.

Crack

Hoje ao passar por uma rua de uma favela me deparei com a figura de algo que um dia foi um ser humano.
Não me julguem preconceituosa, mas não posso conceber o que vi como uma pessoa.
Um bicho?
Um zumbi?
Restos do que um dia foi uma menina e que nem chegou a se transformar em mulher.
Vagava pela rua com um short e um casaco de moleton que cobria a cabeça.
Por baixo uma blusinha que deixava à mostra a barriga saliente que dava a impressão de ter algo mais dentro do que simples órgãos.
O rosto não era rosto, e sim uma máscara de espanto e pavor.
Olhos esbugalhados e perdidos.
Passos a esmo e rápidos como se quisesse inconscientemente ser atropelada.
Suja.
Fétida.
Crackeada.
Escrevo ainda chocada.
Triste.
Inconformada.

sábado, 23 de maio de 2009

Vaga-lume que pisca
no lume da lua
que vaga sem rumo
na bruma da noite
que abre e que fecha
suas asas de vento
que toca sua harpa
com cílios e cauda
que beija as estrelas
na brisa de orvalhos.

Você é assim
feito arco-íris e sonho
um raiar de estrelas
um beijo de sol.

Você é assim
um eriçar de pelos
um sussurro de amor
em meus ouvidos.

Você é assim
letra e melodia
poema sem rima
saudade guardada.

Você é assim
amor maior e infindo
paixão queimando no peito
desejo instalado no corpo.

Você é assim.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Faz de conta

Ela queria voar e alcançar o intocável, lá onde o infinito é mais azul e pode-se chegar na ponta do arco-íris e encher o pote com moedas de amor.
Onde as borboletas são feitas de crepom colorido e os colibris voam de cabeça pra baixo para poder beijar melhor as flores.
Onde o vento sopra tão somente para balançar os cabelos e derrubar bem de leve alguma folha já amarelada pelo tempo.
Lá onde os ponteiros não marcam as horas porque ninguém se importa se elas passam e os dias na maioria são de sol e as noites de lua prateada e corrente de estrelas.
E quando chove as gotas são lágrimas que brotam do céu só para dizer que de vez em quando devemos ter um pouco de tristeza.
Ela queria chegar lá, onde as margaridas são tapetes e o aroma do jasmim nasce junto com as manhãs e as macieiras dão frutos o ano todo para que tenham sempre tortas esfriando nas janelas.
Lá onde o amor é lei e sempre correspondido, onde não existe mentira nem traição.
Onde os beijos são de açúcar e as carícias de mel.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

E a menina cresceu
e gerou outra vida
que agora faz parte
de nosso mundo.
E eu a vejo mãe
dedicada e amorosa
e vejo seu sorriso
de alegria e felicidade.
E meu coração
enche-se de orgulho
pela menina que vi crescer
e tornar-se uma mulher.
Pela mulher que vi menina
e transformar-se em mãe.
Meu coração agradece
e minha alma voa
e meus pés
não encontram o chão.
Estou em estado de graça!

AnthonyNeste mundo de tantas palavras
como encontrar as que possam definir
o que estou vivenciando?
Como traduzir sentimentos
que mal cabem dentro de mim?
Como dizer ao mundo
que meu coração se tornou pequeno
para tanto amor?
Uma vida que começa
e que traz consigo a esperança,
a expectativa de sonhos,
risos e brincadeiras.
Um bebê de cabelos pretos
e boca rosada,
dependente e envolvente
que dá vontade de abraçar,
beijar
proteger.
Vê-lo nascer,
embora que através de uma tela,
me causou risos e lágrimas
e uma incontida e imensa felicidade.
Estou aqui ainda procurando
e não encontro as palavras.
Terei que inventar palavras novas?
Ou esperar que tudo aqui
dentro de mim se acomode
e as palavras voltem?
Por ora, só consigo sentir
e deixar que algumas lágrimas venham,
como agora quando olho
seu lindo rostinho.

Eu e uma gata

Uma noite antes do nascimento de nosso querido Anthony o sono não foi muito meu amigo.
A noite foi longa e as horas de arrasto.
Uma gata me fazendo companhia. A gata que era da minha filha e que ficou de herança quando ela foi morar longe de mim.
Meus pensamentos voam para um passado não muito distante. Ela tinha uns onze anos, creio eu, quando encontrou a gata na rua, ela sempre encontrava algum animal na rua precisando de cuidados e de um lar.
Dida, a gata que estava comigo naquela noite era de rua e doente.
Em um dia chuvoso, com pena da gata, Maila a trouxe para dentro de casa e como já tínhamos algumas em casa ela sabia que outra não seria bem aceita.
Para não termos problemas escondemos a Dida em uma caixa dentro de casa, na ilusão de que não seria descoberta e quando a chuva parasse e devolveríamos pra rua e ela continuaria dando comida, como já fazia há alguns dias.
Mas Dida não quiz ficar quietinha, gatos nunca ficam quando a gente quer, e ela foi pega no flagra.
É claro que levamos uma bronca, mas juramos que seria só por aquela noite.
Mas na manhã seguinte Dida acordou doente, não caminhava e sendo assim não poderíamos soltar a coitadinha naquelas condições.
Levamos no veterinário que explicou que ela estava com reumatismo por pegar muito frio e não ter cuidados.
E agora? Não tinha como deixa-la ao relento. Ficaria até ser tratada e ficar boa.
Ela melhorou, mas nunca mais foi embora.
E naquela noite, antes do Anthony nascer, lá estava eu com a Dida ao meu lado como se entendesse minha aflição. Chegava perto e encostava seu nariz gelado no meu como um carinho.
E eu aflita pelas horas que não passavam me senti grata por minha filha ser teimosa e desobeder o pai e por Deus ter me dado a tolerância e a compreensão para entender seus atos.
Acariciei a cabeça da gata e me senti acolhida por ela.

domingo, 10 de maio de 2009

No acalanto de um abraço
onde o coração se entrega
na doação incondicional
onde o amor impera
nos dias e noites
nas bençãos e dores
a beleza infinita
de ser mãe!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sem VoCêFicar sem você
é como ficar sem o sol de domingo
sem o café quente da manhã
sem o aconchego gostoso da noite.
Ficar sem você
é como não ouvir o som dos pássaros
não ver as cores do dia
não sentir o cheiro da primavera.
Ficar sem você
é mergulhar num vazio
e ter a impressão que a vida
foi embora pra longe.

segunda-feira, 4 de maio de 2009


então é isso
e só porque você
é um menina
com uma flor
e tem vários conceitos
miríades de filosofias
imensidades de vazios
ilhas no vago
secura de carinho
deserto de afago
ausência de junto
desencontros de sozinhos...
tanto quanto eu
passei aqui pra te desejar
um lindo dia

1/2 beijo sabor hibisco!

aNTONIocARLos

quinta-feira, 30 de abril de 2009

lou de lualua nova,
não me deixes assim minguante
sejas em mim crescente
no instante em que nascente
enluaras o meu peito

lua nova
mostra tuas caras
minguantes
crescentes
nascentes

lua nova
de um terço
de um meio
de um quarto
nasças em mim
venhas minguar minha vida
venhas crescer o meu amor
oh lua

poesia inspirada na poesia de Lou

sergio, beija-flor-poeta

sábado, 25 de abril de 2009

MღRtHღ
Entre physalis
tâmaras e lichias
eu te encontro
porque és assim
vida exótica
e especial.

Entre sorrisos
abraços e sentimentos
eu te recordo
porque te vejo assim
acima do bem
e do mal.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

À espera do Anthony
A partir de hoje todos os dias, minutos, horas e segundos serão de ansiosa espera.
Todos meus pensamentos, energias e orações serão para ti.
Cada dia será um dia a menos em que meu coração apertado no peito me dirá que as horas são eternas enquanto você não chegar.
Peço para que Deus seja bondoso e te traga saudável. Peço com lágrimas de esperança e fé e sei que minhas preces serão ouvidas.
Fico imaginando o dia de sua chegada, não sei como vou segurar a emoção, nem vou. Risos e lágrimas virão com certeza.
Bracinhos, perninhas, rostinho, corpinho todo, tudo pequeno, tudo delicado feito um anjo.
Um anjo em minha vida.
Vinte e dois dias é o máximo que falta.
Vinte e dois dias de espera, ou talvez menos, para que finalmente eu possa te segurar em meus braços e te colocar bem juntinho do meu coração.
Neste dia em que a chuva cai
silenciosa e mansa
a saudade me cerca de todos os lados.
Saudade de coisas e gentes
de amores passados
guardados no tempo.
Saudade de tudo que já foi um dia
e que não é mais hoje
e que nunca mais será.
Saudade boba que me maltrata
e que chegou neste dia
só por culpa da chuva.

domingo, 19 de abril de 2009

Existe muitas formas de reagir a uma dor. Algumas pessoas trancam-se dentro de si mesmas e fazem de seu sofrimento um martírio tão profundo que a vida torna-se completamente sem sentido. Outras, porém revestem-se de uma força que talvez nem mesmo sabiam que poderiam ter. O que difere umas das outras é um grande mistério. Por quê diante da dor alguns esmorecem e outros se agigantam?
Isso tudo é para falar de uma pessoa espetacular que não por acaso se auto denominou Felina. Felina não somente na feminilidade, mas na garra tão peculiar que os felinos possuem.
Felina Pantera, nickname muito próprio. Quem a conhece sabe disso é só olhar para seus lindos olhos verdes para perceber a pantera que ela traz dentro de si.

Felina Pantera, mesmo que em alguns momentos seja preciso guardar as garras e apenas ronronar, tenho certeza que tua força estará contigo, porque um felino tem instinto de sobrevivência e é um lutador nato, pode até ficar sem unhas, mas é astuto e nunca foge.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vento SulBateu um vento sul
aqui no litoral
invertendo as ondas do mar
varrendo as ruas
derrubando folhas
levantando saias
despenteando cabelos.

Um vento de respeito
pescadores não vão pescar
gaivotas abaixam a cabeça
pássaros se escondem
peixes somem da superfície
roupas não ficam nos varais.

Ele não se demora muito
mas vai deixando seu rastro
faz o sol ficar mais tímido
e esconde a lua nas nuvens
mas já faz parte da vida
dos manés que moram aqui.

E me incluo, feliz e despenteada!

Você já sentiu o coração
crescer dentro do peito
assim num repente
que parece que o espaço
é pequeno para ele?
Pois o meu às vezes
faz isso comigo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

EsperançaDias calmos
um barco no mar
um vento que sopra leve
quase nada se move
não é preciso pegar o leme
apenas deixar
que a mansidão comande.

Sentimentos brandos
quietude
um mar sem ondas
um céu sem nuvens
um murmúrio de esperança
e um doce
balanço de ninar.

A alma se aquieta
no infinito azul
o horizonte é perto
a pressa não existe
o barco navega devagar
as mãos soltas ao vento
o coração aberto à vida.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Uma janela para HelôÉ preciso que exista uma janela
no quarto para que à noite
debruçada possa roubar
um raio da lua
e de dia para o sol entrar faceiro
e banhar o gato
estendido no parapeito.

Todos os dias é preciso uma janela
para se ter a perspectiva
de coisas novas
de horizonte que desponta
lá longe onde nasce o dia
e cá dentro
onde mora a esperança.

Dida, Neguinha e Penélope

Desde pequena convivo com gatos, sempre tive um ou mais, a companhia deles me é imprescindível. Quando criança, era uma briga constante, gatos encontrados na rua eram sempre levados pra casa.
Os gatos são autênticos, encantadores, apaixonantes, mas também são espertos e astutos.
Na minha casa, tem uma janela que nunca se fecha, é a entrada e saída de minhas gatas. Elas têm território livre pra irem e virem à hora que quiserem. É de costume um gato estranho também entrar e muitas vezes acontecer uma briga. Geralmente encontro coisas quebradas dentro de casa, móveis arranhados, sofás com fios puxados, isso é completamente normal quando se tem gatos. O que eu não gosto, e isso acontece às vezes, é chegar em casa e encontrar as penas de um pobre passarinho pela casa toda, ou os restos de uma indefesa lagartixa.
Coitadinhos!
Fico com uma dó!
Gatos malvados!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tempo de sonhar

Naquelas manhãs
podia-se ficar à janela
só para ouvir o canto dos pássaros
e piscar só de vez em quando
para não perder o voo das borboletas.

Naquelas tardes
as horas eram de se arrastar
para ter bastante tempo
de dizer qualquer palavra que fosse
e que coubesse dentro dos minutos.

Naquelas noites
era possível ver o clarão da lua
pela fresta do olho
e escutar o som do universo
ao nascer das estrelas.

Naquele tempo
era permitido usar giz de cera
nos dias para não serem cinzas
e fragmentos de estrelas
nas noites para serem prateadas.

Naquele tempo
era tempo de sonhar.

ASSOMBRAÇÃO BCDEFGHMNRST
No caminho da escola tinha um mato e a lenda de uma assombração.
Ia para a escola com o irmão e como não havia outro caminho precisavam atravessar o mato.
Então fizeram a combinação de nunca olharem para trás e assim era feito diariamente até que um dia a curiosidade de criança foi maior e não resistindo olharam.
O irmão que era mais velho assustado jurou ter visto a assombração e ela em sua imaginação e por crer nele, também acabou vendo.
Resultou que correram tanto, mas tanto que chegaram à escola de língua de fora e coração na mão.
Nada disseram a ninguém.
E todos os outros dias continuaram a atravessar o mato, só que nunca mais atreveram-se a olhar para trás.

sábado, 4 de abril de 2009

Estrelas nos olhosEmbaixo da lua
a estrela pingava
no olho alegria
e no escuro da noite
a menina sonhava
com brilho nos olhos.

E os sonhos caiam
do céu em torrentes
enchendo seu peito
que de tão pequeno
ficava apertado
tão cheio de sonhos.

Mas por um momento
menina adormece
o tempo aproveita
e quando ela acorda
virou gente grande
sem pingos de estrelas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Na noite o silêncio fala
no peito
o coração não ouve

Naquele tempo

A vida parecia feita de sonhos e brincar. Perto da casa havia muitas pedras e valia fazer delas diversos brinquedos.
Só não valia jogar pedra nos passarinhos.
Passarinhos era bom de ouvir cantar e tinham uma melodia de fazer criança feliz.
Cachorro era companheiro de jogar bola, ficava sempre no gol tentando não deixar a bola passar, só não chutava.
Escola era tão longe de casa e meio de transporte eram pernas que de tão acostumadas nem doíam, até gostavam.
Em companhia do irmão ia, ia, ia, só lembra de ir, não lembra de voltar, talvez porque voltar não fosse tão bom.
Gostava de um menino que lhe parecia um príncipe, mas que na verdade era até feio, bom, nunca se preocupou com aparências, o olhar importava mais.
Quase de noite, bem à tardinha não queria mais brincar. Queria ficar embaixo da mesa e ouvir a oração da Ave Maria de tanto que gostava. Aquela Maria devia ser encantada para merecer tão linda canção.
Nunca esqueceu nada, nem as pedras, nem as flores, nem a oração de Maria.
O dia raia
na janela
depois da noite
o sol clareia

quinta-feira, 2 de abril de 2009

AmareloNa janela um sol
semidourado
no jardim uma flor amarela
Girassol!
Em seu rosto um meio sorriso
amarelo
algo assim para combinar
com o amarelo do dia
que poderia ser azul
ou lilás talvez
mas que teimosamente insistia
em ser
irremediavelmente
amarelo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A vida é belaA vida é graciosa
como o andar de um felino
e seu ronronar manhoso.

A vida é leve
como uma pluma que flutua
com um simples assoprar.

A vida é gostosa
como a tão desejada
última bolacha do pacote.

A vida é preciosa
como uma jóia rara
guardada a sete chaves.

A vida é linda e frágil
não ande por ela como se fosse
um elefante em uma loja de cristais.
As pequenas coisas às vezes tem um valor imensurável. Um gesto, uma palavra apenas pode mudar todo o curso de uma história e para sempre o destino de uma vida.

sábado, 28 de março de 2009

Acordar tarde
maionese, macarronada
passeio no parque
crianças felizes
pipoca, algodão doce
cães nas ruas com os donos
gatos que ronronam ao sol
descompromisso
preguiça

é domingo!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Se acaso a tristeza não existisse
seriam mais brilhantes os dias
e mais iluminadas as noites
seriam doces as lágrimas e de alegrias
seriam firmes os passos e de contentamento
seria escancarado o sorriso de Maria.


OutonalQuando chegam os dias de outono
o sol começa a deixar seu calor em outras terras
e as árvores dão ares de amarelo nas folhas
deixando no chão seus vestígios e desenhos
o entardecer adianta suas horas querendo virar noite
tudo o que está ao alcance de meu olho
dá a sensação de renascer, de transmutar.
Das feridas caem as cascas iguais às árvores
o vento varre as dores junto com as folhas
e as manhãs nascem mais amenas e calmas
e as noites chegam mais serenas e frescas
e todos os dias vivem de se refazer.
Quando chegam os dias de outono
meu coração vira menino que brinca
e manda embora todas as certezas
e se desfolha
e se joga ao chão
para ser varrido pelo vento.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Palavras
Palavras são pássaros que pousam
nas páginas que alguém lê
Palavras são bálsamos que curam
a dor que alguém sente.
Palavras são flores que perfumam
São cores que alucinam.

Mas muitas vezes
palavras são flechas
que ferem sem dó.
São fogos que queimam
deixando corações em pó.

Palavras às vezes são
palavras que não deveriam ter sido.





E na noite uma estrela cadente
rasgou o céu.
E no coração o amor nasceu como criança.
E um brilho novo aconteceu
nos seus olhos de luar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

AOS POETAS

A todos os poetas de verdade
que trazem a poesia na alma
que dizem o que vem do coração
e usam a palavra para encantar.

Aos verdadeiros poetas
que falam de amor e esperança
e transformam um simples ato
num ritual de magia e sonho.

Aos que escrevem por prazer
que dão vida ao impensável
e que vão além das fronteiras
do previsível e esperado.

Poetas de sonhos e fascínios
de amores e mil paixões
que sem limites de palavras
dão todas as cores ao mundo.

domingo, 15 de março de 2009

Fiz um achado de palavras
e amarrei com um laço de fitas
coloquei flores de margaridas
e perfume de frutas cítricas
soprei um beijo no canto
e um segredo escondido
escrevi teu endereço
depois joguei tudo ao vento.

Espero que tenha recebido.

Que seja ardente como o fogo
forte como uma rocha
brilhante como um clarão
intenso como a luz do dia
pacífico como o breu da noite
florido como a primavera
ensolarado como o verão.
Que seja de perto
que seja de longe
que seja antigo
que seja recente
que seja do jeito que for
mas que seja amor.


sábado, 14 de março de 2009

As horas chovem minutos
sinto nas paredes o acúmulo do tempo
e aqui dentro de mim
meu coração a chover lágrimas
Poeminha doce e bobinhoEu imagino a vida
como uma fabrica de doces
bombas de chocolate
que explodem na boca
jujubas coloridas
que saltam pelos olhos
bolas de algodão doce
que derretem nos dedos
pipocas de caramelo
que saltitam no estomago
doce de maria mole
que balança nas mãos
bala de menta fresquinha
que adormece a língua
e brigadeiro de panela
para lambuzar a tristeza.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A lua nua faz festa no céu
e quando eu a olho aqui de longe
cobre-se de nuvens
e me deixa a ver estrelas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Siri BoboPisei na areia
siri veio morder meu pé
ah siri bobo
divide teu mar comigo
pois se você ficar aí
dando sopa
alguém te pega
e você vira almoço
então sai correndo
anda logo
que esse pedacinho de areia
eu já escolhi pra mim.
Às vezes me sinto como estrada
quando está sendo colocado alfalto.
Aquela coisa quente e o compressor passando por cima.
Comparação besta, mas é assim que me sinto às vezes.

domingo, 8 de março de 2009

Boneca de milho

Quando criança espigas de milho eram perfeitas para fazer bonecas.
Perdia-se no milharal a escolher a de cabelo mais longo e loiro que se parecesse talvez com o seu, herança genética!
Nada era mais encantador do que uma linda boneca de milho e jamais, jamais em hipótese alguma passava pela sua cabeça que milho era alimento e milharal não era fábrica de bonecas.
Vida de interior é assim, qualquer coisa ganha vida nas mãos de crianças famintas de brincar. Abóboras, pedras, flores e claro as lindas espigas de milho.
Não existe limite de criação quando se tem um vasto campo de liberdade e um mundão de sonhos ao alcance de uma criança.
Mas um dia lhe foi apresentada a cidade grande e uma fábrica diferente de bonecas de verdade. Ela olhava as bonecas e não via a beleza e nem o brilho nos cabelos igual as que havia deixado lá longe em seu milharal. Mesmo com braços e pernas não tinham tanta graça. A menina não quis mais brincar de boneca.
Hoje a menina virou mulher e quando vê uma espiga de milho pulando em uma panela fervente, sabe que as bonecas da infância agora são seu almoço de praia.

sábado, 7 de março de 2009

Um desassossego me bate assim por acaso
coisa de apertar o peito e doer até os ossos
algo que comprime a alma e não deixa espaço
penso que é dor de descaminhos, de passos ermos
de linhas mal traçadas que por ventura
se fizeram minhas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O lago

Costumava nadar em um lago que tinha perto de casa.
Nadar não é bem a palavra certa, pois nem nadar sabia direito.
Lembra nitidamente do lago.
Uma tábua que dava para atravessar de um lado para o outro e muitas árvores ao redor.
O lugar era até perigoso de se ficar, mas isso nem passava pela sua cabeça e nem pela cabeça das outras crianças que iam lá brincar.
O lago não era mar, mas era bom de ficar dentro dele até enrugar os pés e fingir ser peixinho de lago do meio do mato.
Equilibrar-se em cima da tábua até cair. vuuuuuuaaaa
Roxo nas pernas e joelhos machucados era normal devido aos escorregões.
Mas relógio do tempo passou tão ligeiro
menina deixou o lago e foi para longe.
Ah, será que lago do mato secou e morreu?
Ou ainda guarda pernas sapecas de meninas que sonham
com pedras e sapos de beira de lagos???
Sentiu a areia entre os dedos
e a água a molhar os pés.
Um leve vento que vinha do sul
balançou seus cabelos
e o cheiro do mar entrou
docemente em suas narinas.
Um sirizinho enfiou-se num buraco
e uma gaivota mergulhou
e trouxe no bico um peixe.
Ouviu o barulho das ondas
quebrando na praia
e sentiu a espuma branca
beijando suas pernas
num ritual de ir e vir
de bater e deixar seu sal.
Ao longe um barco e uma vela
e sonhos que voaram
e foram além do infinito.
E no peito um sentimento aflorou
e foi apertando como braços
e invadindo como posseiro.
incomensurável
pungente
infinitamente
saudade!!!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Às vezes é preciso
deixar que o vento desmanche
o castelo de areia na praia
para perceber que ele não tinha alicerce

terça-feira, 3 de março de 2009

Dá licença dona morte, vou falar de você

Falar sobre a morte é estranho, ou parece ser, mas não deveria ser.
A morte pode assustar, mas para mim particularmente ela tem sido até camarada. Tenho lembranças amenas de sua passagem em minha vida: avós que morreram de velhice, um bebê que já nasceu bem dodói e que não vingou, animais que se foram. A respeito dos animais tenho uma leve tristeza, bem leve, por conta da morte de um cãozinho que catei na rua e o alimentei tanto que veio a falecer de congestão, mas para compensar salvei outros tantos e limpei minha consciência. Recentemente a morte levou minha mãe e penso que no tempo oportuno. Causou-me dores naturais e sem traumas.
Penso que ela tem muitas faces e às vezes é um tanto traiçoeira, chega sem aviso e prematuramente devastando corações. Dizem que nunca vem sem ser sua hora, mas em certas ocasiões acho que sua hora é antecipada pelos atos inconseqüentes dos humanos. Não sei se estou certa, mas é isso que acho.
Aceitar a morte de alguém que já cumpriu sua missão é um ato que devemos aprender a praticar e saber distinguir quando é essa hora também. De nada vale chorar rios de lágrimas por alguém que se foi porque realmente deveria ter ido. É inútil e desnecessário. A aceitação muitas vezes precisa ocupar o lugar do egoísmo. Egoísmo sim, por querer ter a pessoa junto, por não saber viver sem sua presença.
Há pouco tempo vi uma pessoa ser mantida viva por alguns meses somente para satisfazer alguns que necessitavam de sua presença. Vamos brincar de Deus?
Algumas pessoas encaram a morte de forma até engraçada. Uma conhecida minha soube que a mãe morreu só um mês depois. Um primo morreu de diabetes e a mãe dele logo em seguida morreu de desgosto. O irmão revoltado matou o vizinho e o pai de tristeza está quase indo para a cidade dos pés juntos. Ela assiste tudo de longe sem derramar uma lágrima. Faces da morte!
Outras pessoas já sofreram tanto que se eu tentar me colocar no lugar delas penso que não aguentaria. Por isso é que sempre digo, dona morte sempre foi boazinha comigo!!!

domingo, 1 de março de 2009

No quarto um espelho
guarda uma pluma
e um óculos azul de festa
vestígios de uma noite
de música e alegria
mas ali no quarto
falta o sorriso
e o barulho da festa
falta o brilho do olho
dentro do óculos.