quinta-feira, 7 de julho de 2011

O vazio da tua ausência

Se você chegasse nesta tarde de abismos
e lesse meu coração
e me falasse de amores
eu deixaria que meus olhos te dissessem
das coisas que tenho pra te dar
e dos sentimentos ternos que carrego
neste meu peito onde a saudade é tanta.

Se você estivesse aqui comigo
nesta hora de silêncio
e se o universo calasse
também minha dor de ausência
eu seria ave leve que voa
e pousa suave em teu pensamento.

Se você fosse presente, meu doce amor
nem precisaria dizer muita coisa
bastaria pegar minha mão
e prometer nunca mais me deixar
neste abandono de dias sem fim
onde a tua falta preenche todo meu ser.

Lou Witt

terça-feira, 28 de junho de 2011


Que seja intenso e profundo
Que seja quente e atrevido
Mas que nunca deixe de ser doce

Lou Witt

quarta-feira, 15 de junho de 2011


Não espere amanhã para dizer
Eu te Amo
Porque talvez seja hoje o dia
em que eu mais precise
do seu amor

Lou Witt

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Eu te encontro
através do pensamento
E te sonho em secreto desejo...

Lou Witt

sexta-feira, 13 de maio de 2011


Saudade é um nó tão apertado
que só desamarra com o calor de um abraço

Lou Witt

quarta-feira, 4 de maio de 2011


Em teu olhar reluz a lua
e reflete os raios do sol
Em teu olhar eu me encontro
E sempre acabo me perdendo

Lou Witt

terça-feira, 26 de abril de 2011


Me bateu uma tristeza sorrateira
Chegou sem aviso nos meados da tarde
Arrebatando o coração
Rasgando o peito
Ferindo o inconsciente
Um sol parco tingindo o céu com seus últimos raios
Amanhã o tempo irá parir outro dia
Mas será outro, este morre hoje
e sente as dores do adeus
Não, não me fale do fim derradeiro
Não me mostre o inverso do paraíso
Não me diga que as cores do dia
irão se transmutar em cinza, eu não quero saber
Não quero a lamina me ferindo a face
Nem o soco no estômago ou o amargo na boca
Quero a cor da noite pintada de estrelas
E o raiar do dia e me banhar de orvalhos

Lou Witt

domingo, 10 de abril de 2011


Eu te quero tanto
no arrepiar de pele
e no pulsar de veias.
Eu te amo imenso
no brilho dos olhos
e no braço que enlaça.
Eu te guardo sempre
no devaneio da mente
e no bater do coração.

Lou Witt

terça-feira, 5 de abril de 2011


Tua presença em meu pensamento
me diz tantas coisas,
tantos poréns...
E meu coração só tem a certeza
de que eu nasci para te amar.

Lou Witt

sexta-feira, 1 de abril de 2011


O vento soprou trazendo uma cantiga de longe
que me contava um segredo
Trazia o perfume das flores e a brisa do mar
e disse que você me mandava um pensamento

O vento tocou minha pele e jurou
que seu coração ainda é meu

Lou Witt

sexta-feira, 25 de março de 2011


Amor é essa coisa
que fica grudada dentro do peito
que revira os pensamentos
acelera o coração
e altera os sentidos

Lou Witt


O meu amor fala alto
e te chama em cada dia
e te sonha em todas as noites

Lou Witt

quinta-feira, 3 de março de 2011

Espelho

A imagem que o espelho reflete
me fita nos olhos e me confunde
num abrir e fechar de cílios.
Um rosto, uma sombra.
Um instante fugaz
de pensamentos confusos.
Uma força incontrolável
que me puxa para um mundo
de mistérios e sonhos.
Um sorriso abstrato
querendo me dizer coisas
que jamais compreenderei acende no rosto.
A penumbra do instante
distorce a imagem e faz meu coração pular
como em sobreaviso
e no mesmo instante a imagem
que o espelho reflete é o seu rosto.

Lou Witt

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ESTRANHOS

Apaixonaram-se em um baile de máscaras
Amaram-se loucamente no escuro do quarto
Pela manhã, exauridos e de cara limpa olharam-se
estranhamente e seguiram caminhos opostos
Cada um com sua máscara

Lou Witt


MÁSCARAS

A vida não lhes permitiu toda a verdade
Versos e máscaras camuflam a dor do amor
Ficou mais fácil ir embora – dizer adeus –
A sofrer a dor que a rotina impõe ao amor
E eles podiam tudo, menos amar à luz do sol
Quando todas as máscaras caem...

Mário Feijó
20.02.11

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Chá de maçã
Açúcar com canela
Goiaba no pé
Vento de setembro no rosto
Uma lua no céu
Um beijo roubado
Tão doce
Tão meu

Lou Witt

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

E quem disse que tudo quanto é belo é bom? (Ou vice-versa)

Eu vi a face do mal, assim de relance, como um flash, um relâmpago, uma centelha. Foi então que descobri que ela se esconde por detrás de uma beleza infinda, uma beleza que seduz e nos deixa tão inebriados que não somos capazes de resistir.
Eu vi demônios que saltavam pelos olhos e saiam pela boca em um som roubado de harpas, flautas e violinos.
Eu vi anjos em tropéis se afastando quando as máscaras eram arrancadas.
Choravam os anjos quando o mal se despiu e com tamanha habilidade despojou quem estava desatento.
Eu vi o branco se transformar em cinza e a metamorfose do mel em acre quando o dedo apertou a ferida e jogou fumaça nos olhos no momento em que a claridade se fechou e o palco se cobriu de labaredas.
Quente e fumegante.
O mesmo calor que antes era afagos e que dava a falsa sensação de contentamento naquele instante transformou-se em habitação de almas afoitas.
O mal me abraçou sedutor e destemido e eu me deixei levar por caminhos de flores e pedras, por vielas e avenidas, entre o inferno e o paraíso.

Lou Witt

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Eu só quero
Que você não olhe apenas em meus olhos
Mas que veja minha alma
E leia meu coração

Lou Witt

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Morangos e ilusões
Os dissimulados chegam de mansinho e te jogam uma conversa em meio à outra como não querendo e te dizem algo que no momento até parece possível. Algo assim como vamos colher morangos no final da tarde e você pensa, nossa, vamos colher morangos no final da tarde e isso te parece tão convidativo, tão real que chega até a sentir o gosto dos morangos, aquele agridoce na boca.
Mas, na boca dos dissimulados o gosto é outro, talvez de vitória por você ter acreditado nos morangos, talvez em seu íntimo estejam sorrindo, ou rindo da sua inocênciatola em acreditar.
E para ficar imune a isso, ou a esses, você precisa tirar lá do fundo e você sabe que tem guardada, aquela velha desconfiançazinha básica e ler na entrelinhas, porque eles, não os morangos, são naturalmente encantadores e quando você menos espera já te roubaram mais do que a paz.

Lou Witt

domingo, 16 de janeiro de 2011

Há quem diga que já se apaixonou por um nome.
Um nome imponente, ou doce, ou que soa tão bem que sentimos vontade de ficar pronunciando o nome do nome em voz baixa, só pra gente mesmo ouvir.
Quanto peso tem um nome, sinônimos do nome, sentimentos ao nome.
Quem nunca acordou no meio da noite com o nome de alguém no pensamento, como se aquele nome tivesse vindo de um sonho, de um outro mundo.
Quem ousa dizer que o nome não faz parte da pessoa como se fosse areia e mar, lava e vulcão?
E quando esse nome vem acompanhado de outro nome que também nos encanta, aí é covardia, se um nome hipnotizante já nos abala, imagina dois? Nos derruba, nos quebra ao meio, nos deixa desprovidos de raciocínio.
E ficamos imaginando que poderíamos sussurrar o nome no ouvido do dono como se fosse uma oração, um poema, a fórmula mágica de uma poção, a chave do paraíso.

Lou Witt

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Foi embora
Foi embora
Sem pressa
Sem apegos
Sem se importar com dores
Foi embora

Pegou as malas
Virou as costas e saiu
E nem poeira
Nem saudades
Nem nada deixou

Saiu sem dar adeus
Sem um aceno
Sem lágrimas de despedida
Separou corações
E o que ficou não mais partiu

Foi embora
De um lugar
Onde nunca deveria
Ter chegado

Lou Witt

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Para Aninha e Renatinha 

Ela

Ela chega e com os olhos me namora
E pousa sua mão na minha face
Feito pássaro leve
Ela me beija
Com seu beijo de menina grande
De menina doce
De menina amante
Ela escancara seu sorriso de anjo
E enrola meu cabelo
Com seus dedos mágicos
Ela me conta de suas dores
E muito mais de alegrias
Ela inventa um mundo
E como bailarina
Ela dança nas nuvens
E me jura amor eterno
E me faz ser criança
E ser grande
Ela me canta
E me encanta

Ela
Sempre
Para sempre
Ela

Lou Witt

domingo, 2 de janeiro de 2011


Quando te falo e sei que me ouves

sinto como se minha voz voltasse

como um eco através dos horizontes

e apenas por isso

já sou feliz.

 
Lou Witt

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A vida se mostra bela
Na mão que acolhe
No riso que nasce
Nas cores do dia
Nos anos que passam
A vida se faz encanto
Em cada canto do universo

Celebre
Cante
Viva sem medo
Faça valer sua existência
Neste tempo
Que lhe foi dado

Lou Witt

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal

Um
si
lên
cio

tomou
conta de mim

Mi
nha
prece
é
a quietude

Lou Witt

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Olhos

Ele tinha uns olhos de gato. Matreiros. Olhos de fogo.
Ela nunca antes vira um olhar assim.
Devia ser proibido.

Lou Witt

domingo, 12 de dezembro de 2010


Quem disse que a lua não sorri
quando ilumina os amantes
e o sol não se derrete
quando te vê passar?

Quem disse que a noite
não chove estrelas
e o dia não se faz luz
diante de tua beleza?

Quem disse não sabe de encantos
Nem conhece teu riso.

Quem disse
mente.

Lou Witt

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Era sábado

Dissestes ser tão meu
E teus olhos lançaram fogo
Num dia de sábado
Quando me confessou amor

E tua voz como um sussurro
Acariciou meus sentidos
E me disse ternamente
Que eu era o teu mundo

E agora quando chega a tarde
Parece que ainda te ouço
E de tão longe vem o teu murmúrio
Apenas em meio aos meus sonhos

Lou Witt

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Simplesmente

Eu te amo através dos mares
Através dos ventos
Eu te amo em pensamentos
Em palavras
Em pele e alma
Eu te amo sem promessas
Sem arroubos
Sem ontem
Sem amanhã
Eu te amo hoje
Agora
Neste momento
Eu te amo simplesmente

Lou Witt

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


Delicadeza

Com vestido de flores
E presilha no cabelo
Vou te esperar no portão pela tardinha
E quando chegares
Usarei o meu melhor sorriso
E te darei as margaridas que ainda restarem
Da minha brincadeira
De mal me quer bem me quer

Lou Witt

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Aqui onde me encontro
distante de teu corpo físico
posso sentir tua presença
na minha janela
Posso voar com tuas asas
Sobrevoar o oceano
e alcançar as nuvens
E nesse voo mágico
por um breve instante
solto a tua mão
e toco o dedo de Deus

Lou Witt
Bendita Chuva Bendita

A chuva bateu na minha janela e ficamos assim por um longo tempo,
ela do lado de fora lavando calçadas, ruas, pedaços do mundo,
eu do lado de dentro purificando minha alma
como se aquela chuva entrasse pelos meus poros, pelas minhas veias, pelo meu sangue.
Era algo como uma aspersão divina.
Mas quando abri a janela o vento bateu mais forte e num rompante de trovões e raios
a chuva se transformou e naquele instante chuva e eu nos tornamos uma coisa só.

Lou Witt

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Encantos

Me conta o segredo dos mares
E do quebrar de suas ondas
Onde o canto das sereias
Entoa em terras distantes

Me fala das borboletas
E da beleza dos colibris
Do mundo mágico das fadas
E dos amores eternos

Me segreda os desejos contidos
Por detrás das orações
E me diz onde vivem os sonhos
Que movem nossa existência

Me leva para o teu mundo
E com tuas palavras doces
Toma meu coração de encantos
E enche meu peito de amores

Lou Witt

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Onde estás?

Onde estás na madrugada
Quando meu sono vai embora
E meu pensamento te chama?

Onde estás quando a lua me banha
E os rumores do espaço
Só pronunciam o teu nome?

Onde estás, amor meu
Quando meu coração é um barco
E navega à deriva a te chamar?

Onde estás, quando é noite ou dia?
Quando é luz ou tempestade?

Onde estás
Além de aqui, dentro de mim?

Lou Witt

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eu me rendo

E você chega calmo e sereno
E me põe leve feito uma pluma
Desamarra meus laços
Tira minhas vestes
Arranca meus suspiros
E todos os meus momentos
Passam a ter o teu nome

Você escorrega para o meu mundo
E eu te abro todas as portas
Você desvenda meus segredos
Compartilha comigo seus desejos
E todas as minhas dores adormecem
Quando você chega cheio de amores

Lou Witt

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quando te falo e sei que me ouves
sinto como se minha voz voltasse
como um eco através dos horizontes
e apenas por isso
já sou feliz

Lou Witt

domingo, 31 de outubro de 2010

Beijos
beijo colorido
beijo estaladinho
beijo de amigo
beijo rapidinho
beijo de esquimó
beijo assoprado
beijo palpitante
beijo demorado
beijo que desperta
beijo que demonstra
beijo viajante
beijo de lembrança
beijo musical
beijo de mordida

pode ser um tanto banal
mas beijo sempre é beijo
e todo mundo gosta de beijar

Lou Witt

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A macieira e a infância
Em meados do outono quando o inverno prometia chegar, a macieira cobria-se de flores rosadas, quase brancas, e perfumava o ar que enchia os pulmões de quem passasse por perto com um doce aroma de flores recém nascidas.
Quando os frutos começavam a aparecer, minúsculos e verdinhos, quase parecidos com uma ervilha, as pétalas desfolhadas caiam ao chão desmerecidas, tecendo um bucólico tapete no qual nossos pés de crianças descalças pisavam como se ali fosse o paraíso.
Naquele tempo, as horas eram contadas pelo andar do sol e sempre que ele se punha no horizonte um certo descontentamento se apossava de nossos pensamentos por saber que o dia estava se tornando noite e teríamos que dormir.
Crianças sempre relutam em tornar um dia findo e queríamos todos os dias infindáveis e espetacularmente perfumados pelo aroma da macieira.
Não que as noites não fossem boas, elas eram também.
Brincávamos de contar estrelas na imensidão do espaço iluminado pela lua e quando não se podia deitar ao solo espiava-se pela fresta da janela para escolher a estrela mais brilhante.
A cada amanhecer o pomar ganhava um novo cenário e as árvores dividiam o espaço com flores multicoloridas e lindos frutos.
Era bom viver assim, em meio ao doce das frutas e ao aroma das flores.
Era divinal não se importar com o desenrolar do tempo que também não se importava com nosso querer e passava sem que tomássemos consciência de sua trajetória.
E ele foi passando.
E a macieira ficava lá sempre a espera de novos frutos e nós, crianças que éramos, corríamos sem limites sem perceber que o tempo impiedoso, aos poucos limitava nosso encantamento.

Lou Witt

domingo, 24 de outubro de 2010

Chove amores em mim
Quando na tarde chegas
E verte risos em minha face

E quer brincar comigo
Como se fosse menino
Que corre atrás da bola

E me arranca suspiros
Quando ficas lânguido
E deixa escapar que me ama

Lou Witt

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


Às vezes me acontece algo assim
Tipo cisco no olho
Sapato apertado
Mal estar na alma
É como um pássaro na gaiola
Um deserto sem água
Um tiro no escuro
Um palhaço sem platéia
Um nó entalado na garganta
Um incomodo visceral
É como se um silêncio profundo
Engolisse meu viver

Mas tudo isso é clichê
E eu paro por aqui

Lou Witt

segunda-feira, 18 de outubro de 2010


Meu pensamento
racional
a todo instante
te nega
Meu coração
sem juízo
em todas as nuances
da vida
te procura

Lou Witt

domingo, 17 de outubro de 2010

É um tanto abissal sentir a cor escura do dia
E contemplar pela janela os filetes de chuva
É esta falta de sol que me põe aflita
Que me sacode a mente
com a velocidade de um raio
E lança trovões
Dúvidas
Temores
E me deixa tão densa
Como as carregadas nuvens
Que jogam lanças de saudade
E cravejam o peito num obscuro ritual
Pingos
Telhado
Vidraça
Coração que bate
Em descompasso
nos passos
da chuva

Lou Witt
Voo no vento
Naquela manhã acordou com uma vontade estranha de ganhar o mundo.

Queria ver as borboletas de outros jardins e os pássaros de outros céus.

Caminhou entre as folhas secas de outono sem olhar para trás e a cada passo que dava o desejo aumentava dentro de seu peito.

Abandonaria seu solitário mundo e buscaria entre o tempo e o espaço um lugar onde as lágrimas fossem de açúcar e o pensar fosse uma fina e transparente seda.

Queria que o orvalho da manhã tocasse em sua pele e a brisa mansa e serena lhe beijasse como um amante.

Olhou a vida como se fosse um algodão doce e delicadamente provou o doce sabor da plenitude.

E o vento soprou como em rebeldia desmanchando seu cabelo e trazendo areia fina para seus olhos.

Travou-se então uma batalha entre a vida o desconhecido escuro travestido de medo.

Queria desesperadamente conhecer o mundo que havia depois da esquina e uma voz doce lhe dizia que para seguir em frente teria que se despir de tudo o que aprendera até então e assim ela fez.

Sentia a pele queimar e uma dor insuportável transpassou seu peito, mas sabia que para atravessar a fronteira do previsível e costumeiro teria que sentir o fio da navalha lhe tirando a couraça dos dias iguais.

Um beija-flor pousou em seu ombro num bater de asas tão rápido que mal ela podia perceber seu voo e um cheiro de alfazema transformou o ar o que a fez lembrar de um ritual de acasalamento.

Levantou as mãos e segurou no rabo do vento que saiu numa louca disparada levando consigo uma alma nua e um sorriso escancarado.

Lou Witt

sábado, 16 de outubro de 2010

EU PRECISO DAS TUAS DIGITAIS EM MEU CORPO

Mário Feijó
09.10.10

Eu choro por ti, não somente por ti, mas por todos os que amam e que não são amados. Por aqueles que não compreendem a si mesmos que se esvaziaram de amor e nem compreendem as lágrimas derramadas.
E quando eu choro é como um pedaço de mim que foi embora sem se despedir. Um pedaço que esvazia a minh’alma, que corrói a minha fé na fraternidade humana.
Será que só eu sofro por isto?
E os outros seres do planeta o que fazem pelo amor?
O que fazem um pelo outro?
Venceu o egoísmo? Em qual ordem de seres eu estou?
Não sou melhor que ninguém, mas em meu peito bate um amor cansado precisado de bengalas para sobreviver, para seguir em frente. Mas eu não desisto, embora sofra, e mais lágrimas caem esvaziando a minhalma esquálida, pálida, sofrida, deprimida.
Eu não queria estar tão sozinho nesta empreitada, mas cada vez menos meu coração encontra o eco de outros corações. Cada vez vejo menos lágrimas por amor ao próximo.
O que eu faço para sobreviver?
O que eu faço com esta saudade que sobrou de ti? Com a minha cabeça cheia de fantasmas do passado num futuro cada vez mais triste?
Olho pro mar e chego à conclusão que metade daquela água salgada saiu dos olhos de minha alma...
Sabe o que eu mais preciso neste momento?
Tuas digitais espalhadas pelo meu corpo...

sábado, 9 de outubro de 2010

Minúcias
Quero verbalizar você
Com o som de todas as letras
E sem pauta e nenhuma rima
Formar palavras que te encantem

Quero descobrir o que fazes
Quando meus olhos não te alcançam
E abrir a porta que revela teus segredos
No toque sutil do pensamento

Quero passar noites a contar estrelas
E desenhar teu corpo em versos
Fazer amor em madrugadas frias
E dançar nas nuvens ao som do realejo

Lou Witt

sábado, 2 de outubro de 2010


Estrelas nos olhos

Embaixo da lua
a estrela pingava
no olho alegria
e no escuro da noite
a menina sonhava
com brilho nos olhos

E os sonhos caiam
do céu em torrentes
enchendo seu peito
que de tão pequeno
ficava apertado
tão cheio de sonhos

Mas por um momento
menina adormece
o tempo aproveita
e quando ela acorda
virou gente grande
sem pingos de estrelas

Lou Witt

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nada aconteceu depois daquelas tardes quando os olhos cintilavam o brilho por trás da persiana e o gato arranhava o braço do sofá deixando escapar um ronronar solícito e manhoso.

Nenhum dia foi diferente e nem houve promessa de que seria no decorrer dos próximos anos e próximas vidas talvez.

O acúmulo dos dias seria desimportante e não haveria promessas a serem cumpridas nem partilhar de sonhos dourados em luas crescentes.

Nada de derrubar muralhas, construir castelos e sonhar com beijos de princesa.

O coração pulsaria manso no peito e a rosa ficaria guardada no eterno livro do tempo até que suas pétalas perdessem completamente a cor.

O nevoeiro que cobria as manhãs de inverno entraria pela janela e seria necessário aquecer o corpo e a alma com chá de maçã e canela porque nas mãos não teria outras.

O gato dormiria na manta do sofá da sala e por vezes roçaria em suas pernas pedindo carinho, o pegaria no colo e escutaria seu ronronar como um motorzinho que fica ligado tremulando.

Em dias de sol olharia pela janela para admirar a delicadeza das borboletas que independente e alheias à sua estranha história não se importavam em ser felizes e coloridas.

E seria assim, para todo o sempre.

Lou Witt

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fraternidade

Braços e abraços
e diante de mim
a solidariedade do mundo.
Quem disse que o amor está em desuso?
Lágrimas compartilhadas
sofrimento repartido.
Quem falou que a dor
não pode ser dividida?
Não quero o exílio interno
quero a fraternidade oferecida.

Lou Witt

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Esperança
Quando finda a tarde o céu tinge-se de vermelho e gris
A vida adormece nas encostas e estepes
e a noite com seu manto negro
cobre uma parcela deste vasto mundo
Calam-se os cantos
Dormem os pássaros
Peixes buscam refúgio
Tudo espera pelo breu da noite que descansa corpos calejados
e esmaga corações aflitos
A noite é soberana e geme saudades em camas vazias
O escuro dói e o vento assovia uma canção de ninar estrelas
E tudo é silêncio e solidão

Mas no romper da aurora quando o dia aponta
Brilha um sol de ouro atrás do horizonte
Vertem córregos
Mares geram pérolas
Nascem margaridas
Brilham violetas lilases
Colibris beijam flores
E a esperança é uma borboleta
de finas asas douradas

Lou Witt

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Vou te contar uma histórinha:

Estava eu um dia no trem da vida, dei um cochilo e sonhei com uma fada que me disse coisas que jamais esquecerei.

Ela me falou que a vida não é feita só de alegrias e que as pessoas sem querer nos fazem sofrer e para viver em paz neste mundo é preciso ser tolerante, sábio e paciente e acima de tudo tem que saber amar.

Disse-me que ninguém é completamente bom nem mau e que devemos sempre buscar o melhor dentro de cada ser humano por mais que isso possa nos parecer difícil algumas vezes.

Confidenciou-me que certa vez jogou um pozinho sobre o mundo espalhando o amor para que todos se amassem e o amor se tornasse uma lei universal, mas um vento muito forte soprou e algumas pessoas ficaram isentas ou pouco se beneficiaram e infelizmente o amor às vezes enfraquece no coração dessas pessoas.

E por último ela me falou que um dia eu encontraria alguém que havia sido atingido em cheio pelo pó mágico e que esta pessoa seria uma luz na minha vida.

Não falou seu nome, apenas disse que eu saberia quem era quando chegasse à hora e que eu pegaria sua mão e voaríamos juntos.

EI, AINDA TEM PÓ NA SUA CABEÇA!
SEGURE MINHA MÃO, VAMOS VOAR?

Lou Witt

Ah
se todos os dias fossem de flores
seria uma eterna primavera
dentro de mim

Lou Witt