sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu queria ser Manoel por um dia

Há pouco tempo fui apresentada a Manoel de Barros quando ganhei de minha amiga Helô um livro, na verdade não é bem um livro, Memórias Inventadas vem em caixinhas, com folhas soltas que dá mais magia a autobiografia do poeta. Ao ler a primeira página eu logo pensei: Vou devorar! É assim que sempre faço quando gosto de uma leitura, devoro! Ledo engano. Manoel é para ser lido devagar, degustado, saboreado, uma página por vez para que as palavras sejam absorvidas, tragadas, beijadas, acarinhadas. Encantei-me por Manoel! Apaixonei-me! E pensei: Como pude viver sem ele até hoje? Sem suas palavras de encantamento e sua mágica poesia? Por onde andava Manoel que não cruzou meu caminho antes?
Ao continuar a leitura minha interação foi tanta que por vezes tive a impressão de estar ligada a seus pensamentos e eu quis ser Manoel por um dia, então eu escreveria como ele e seria imortal, apenas por um dia. Ah, mas quanta ousadia!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Lua nova que novidade me conta?
Como está tudo aí em cima?
Passa ano e entra ano
e você aí sempre tão novinha.

Lua crescente que linda
parece sempre tão risonha
toda vez que te olho imagino
que é para mim esse teu sorriso.

Lua cheia que pomposa
te admiro e fico a pensar
que lua mais exibida
que cheia, que maravilha.

E tu triste lua minguante
não venha minguar minhas noites
que passe logo a tua fase
e que volte a lua nova
com novidades.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

De quantos sóis é feito um coração?
O sol ameno do outono
que amadurece os frutos
e seca as folhas das árvores.
O sol acolhedor do inverno
que vem depois da chuva
enxugando o chão e as lágrimas.
O sol quente do verão
que chega trazendo vida
e aquecendo corações.
O sol intenso dos teus olhos
que me olham docemente
e brilham por trás do vidro

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Que o amor não me torne menor
nem me cause danos.
Que o amor não me traga mágoas
nem arrependimentos.
Que o amor não me aprisione
nem me feche os olhos.
Que o amor sempre me engrandeça
e me faça melhor.
Palavras
Palavras a esmo
jogadas pro nada
vazias, perdidas
mal direcionadas.
Palavras ligeiras
sem graça, apressadas.
Palavras profundas
marcantes, faceiras.
Palavras de encanto
risonhas, certeiras.

Palavras que sempre revelam
quem por trás está delas.

E você, que uso faz
de suas palavras?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009



Feijão preto no prato
fumacinha saindo de tão quente
lembra da minha infância
no prato o feijão era farto
misturado com farinha
que eu comia inocente
e a vida era linda
e tão somente minha.
Eu vejo poesia nas coisas belas
nas coisas tristes
e até nas coisas sem sentido.
Eu vejo poesia nas pessoas
em suas palavras e gestos.
E quando a vida se torna
um tanto sem graça
trato logo de enfeitá-la com poesia
para que as coisas fiquem mais leves
e para que não existam lacunas
entre meu mundo louco
e o das pessoas que amo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Passeio
O barco segue pela costa da lagoa
no céu desenhado de nuvens o sol clareia
e no mar azul as ondas batem no barco
marolando e deixando um rastro de espuma.
Se a sorte estiver a meu favor
encontrarei no caminho algum golfinho
e mais adiante descerei na costa
e saltarei de algum trapiche
onde as águas serão tão claras
que verei os peixinhos nadarem
e dividirei com eles um pedacinho do mar.
Verei muitas gaivotas, com certeza
e aventureiros saltando de asa delta
colorindo e dando mais beleza ao céu
misturando o voo dos pássaros
com a ilusão do voo dos homens.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Entardecer
Um sol de entardecer pintava o horizonte de vermelho e a frente da montanha um V de pássaros dava ao cenário um ar bucólico e paisagístico. Acima das cores que se misturavam em vários tons de vermelho um céu azul quase cinza anunciava que em breve a noite chegaria com seu breu, estrelas, lua e sonhos. Entardecer, horário de vácuo em que o dia morre à espera da noite. Lembra-me sempre uma canção que quando criança embaixo de uma mesa ouvia: Ave Maria! A mais linda canção entoada em meus ouvidos de menina. Se fechar os olhos por um instante retorno àquele tempo e a canção volta. Ave Maria! Mas o entardecer é breve, breve e lindamente triste.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

karoleando Ela chegou assim iluminando
e aquela sala que era triste
logo foi karoleando.
E pra tudo era uma combinação
enxaqueca no mesmo dia
Essa não! Que maldição!
E tínhamos tantos segredos
que se fosse pra contar
ah, nos faltariam dedos.
Música de Zeca Baleiro
Calma Alma Minha
Calminha!
Mas um dia ela se mandou
e a sala deskaroleou
meu coração só chorou.
Hoje em seu lugar tem a Samantha
gente boa, gosto dela
mas a saudade de Karol ainda é tanta.

Karol, Karolina
mulher com alma de menina.
Abaixo da janela da avó
tinha um pé de brincos de princesa.
Nunca antes vira flor tão linda.
Sonhava em ser grande
ter brincos como aqueles
e quem sabe ser princesa.
Cresceu e mudou o gosto
pelos brincos.
E quanto a ser princesa
ah, sonhos de menina!
Pensei assim de um estalo como foram criadas as palavras.
Desde que fui alfabetizada não lembro de nem uma palavra
nova ter sido inventada.
Será que todas as palavras foram inventadas de uma só vez?
Tipo assim um Big Bang de palavras?
Disposta a satisfazer minha curiosidade resolvi consultar o senhor Google que desfez foi a minha ignorância.
Me informou que vez ou outra palavras novas são inventadas sim,
nós é que somos descuidados as usamos e nem percebemos.
Em 1998 a Academia Brasileira de Letras lançou um vocabulário com termos que estão em uso e que não eram oficiais, alguns deles bem conhecidos nossos: deletar, teleconferência, acerola, Internet, scanear, mouse.
Até corei de vergonha! Ainda bem que estava do lado de cá da telinha.
Hehehehe

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dó maior, pena que toca
Música triste ouvida no peito
Lá, bem longe, lágrimas correm
Se, somente se, você não está
Me faz uma falta enorme
Com o meu canto vejo o sol brilhar
Reanimo, reacendo, reativo
Fácil se fazer notar

(Angelo Portilho)

Mas veja, Dó maior é apenas uma nota
e tantas outras notas existem
que formam cantos e encantos
que mesmo à longa distância
corações ouvem e notam
que a dança da vida não é feita só de Dó
mas também de faceiros
Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si

(Lou Witt)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O suplício de uma noite mal dormida

Na noite que passou dormir foi coisa difícil de fazer onde eu me encontrava por uma razão bem simples: Um maldito filho de chocadeira, vou classificá-lo desta forma para não ofender sua querida mãezinha que talvez não tenha culpa de ter um filho assim, as mães nem sempre são culpadas pelos atos paranóicos e delinqüentes que os filhos cometem, se bem que na maioria das vezes tem uma parcela bem grande de responsabilidade, mas não vou entrar nesta questão agora, vim aqui falar foi do infeliz que não me deixou dormir escutando uma maldita música gospel/baiana/axé/funk e sei lá mais que mistura era aquilo a noite toda. Me pergunto até agora como um ser vivente pode ter ouvidos para agüentar tanta poluição sonora. Pois aquele serzinho teve. Também não sei o que me fez pensar que a pessoa seria alguém do sexo masculino, poderia ser uma moçoila assanhada sassaricando a noite toda e deliciando-se com os prazeres lúbricos e carnais e provavelmente no outro dia enquanto eu estaria ralando ela estaria estatelada em sua cama dormindo que nem uma macaca gorda, mesmo que não fosse gorda. Ah, que suplício! Meus olhos secos e arregalados pareciam duas bolas de gude que de tanto os meninos jogarem perdem todo o brilho.
Costumo dormir pouco, seis horas por noite no máximo e quando algo tira meu sossego na manhã seguinte fico um trapo, um verdadeiro bagaço chupado de laranja. Mas o dia necessita ser vivido e o trabalho ser feito. Treinamento pela manhã. O que esta mulher está falando? Será que meu raciocínio foi embora junto com aquela maldita música gospel/baiana/axé/funk e sei lá o que mais. Na parte da tarde treinamento novamente. Um cochilo básico, com olhos de bola de gude e fui pega com uma perguntinha: - Você não acha? Claro, com certeza! (não faço a menor idéia com o que concordei).
E o restante da tarde misturei-me com os papéis de cima da mesa e foi uma confusão total.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Esta vida é mesmo muito matreira
quando pensamos que está nos dando uma rasteira
está nos presenteando com uma tremenda oportunidade
só é preciso estar atento irmão
olhos abertos
coração manso
e mente ligeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Gosto de sonhar com céu azul
e lindas nuvens de algodão.
Com sol que brilha e pássaros
que voam quase até o infinito.
Gosto de sonhar com beijos
e abraços de um amor gostoso.
Gosto de sonhar com anjos
e amor fraterno entre os homens.
Com a paz reinando no mundo
e a felicidade de dias tranqüilos.
Gosto de sonhar coisas que desejo
e que nem sei se vou realizar.
E quando eu não mais puder
sonhar com tudo isto
não quero mais estar neste mundo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

A menina sonhava
em ser gente grande
ganhar o mundo e ser feliz.
O tempo passava tão lento
e a menina ansiosa aguardava.
Finalmente cresceu
e o tempo passa tão rápido
ela agora sonha inverso
quer voltar a ser menina
e novamente ser feliz.

Assisti ontem, o estranho caso de Benjamin Button. Só tenho uma palavra para Brad Pitt: Fantástico! Cate Blanchett também não deixa por menos, com cabelos pretos e magérrima, está mais linda do que nunca.
O filme é intrigante e lendário, fugindo de todos os padrões. Um debilitado corpo de oitenta anos com pensamentos e sentimentos de uma criança. Um jovem corpo de sete anos com demências de um idoso. Conflitos mostrados ao longo do filme nos fazem pensar que a vida traça seus caminhos de uma forma perfeita e muitas vezes não temos essa percepção.
Personagens marcantes nos mostram que o mundo é feito de diferenças e que para se ter paz é preciso aceitar as diferenças de cada um.
Uma história que fala de amor, perdão, superação e acima de tudo aceitação.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Surpresas da vida
que chegam breves
como o tímido vento noroeste
que nunca vem só
atrás dele sempre vem
outro vento qualquer
trazendo chuvas,
tempestades e trovões
mas também passam rápido
e logo o sol volta a brilhar.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quando chega o verão, meu ser cria alma nova. É como se eu renascesse e o brilho do sol entrasse pelos meus poros e passasse a fazer parte de mim.
Nasci para o calor. Amo o mar, o sol, as praias, o cheiro da brisa que vem do oceano. Amo Florianópolis e tudo o que há aqui. Sinto-me uma filha desta terra e embora tenha nascido longe daqui, aqui é meu lugar, aqui quero ficar para o resto dos meus dias.
Meus melhores poemas são para Floripa, para o mar que banha Floripa, para o sol que aquece Floripa, para as lindas praias de Floripa.
É o verão

Levanta menina
deixe logo de preguiça
que o dia já acordou
pegue seu lindo biquíni
sua canga e protetor
que o sol está chamando
e o asfalto já esquentou.

Barra, Jurerê, Costão do Santinho
Canasvieiras, Mole, Joaquina
Brava, Moçambique, Armação
Campeche, Morro das Pedras,
Lagoa da Conceição.

É o sonho do verão chegando
barulho das ondas batendo nas rochas
gaivotas, peixes, ondas, sol e mar
estradas cobertas de carros e gentes
caminhos que levam sempre ao mesmo lugar:
O mar! Ah, o mar!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Os trigais

Em um imenso campo de trigais
a menina caminhava por entre as valas
com a leveza de um anjo ia mansamente
para não machucar as plantas.

Suas pequenas mãos tocavam
levemente as pontas agudas dos trigos
e no coração a vontade de colher um ramo
e levar para sua vida o dourado daquele campo.

Caminhava o mais devagar que podia
para apreciar aquela beleza
e guardar dentro de si a imagem
daquele imenso lençol cor de sonho.

Ao chegar olhou para trás e viu o lindo campo amarelo
sorriu feliz por não ter machucado nenhum ramo
seu pai que a aguardava com mãos ágeis de plantador
colheu alguns galhos do mais brilhante trigal
fez um lindo ramalhete e nas mãos da menina colocou.

Ela segurou nas mãos o ramalhete
e seu sorriso misturou-se aos trigais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O sol brilha na imensidão azul
as nuvens brincam de desenhar no céu
a brisa traz o cheiro do oceano
e minha alma cria asas longas.

O vento beija meu rosto
e me sopra um segredo
trazendo a lembrança de um sonho
tão lindo e que agora é vida.

A felicidade me abraça mansamente
e o universo murmura em meus ouvidos
ah! que ousadia não ouvi-lo
dizendo-me para ser feliz.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Um papo com Hercílio...

Hercílio, nos dê uma Luz
A praia é Mole
Mas vida tem sido muito dura
Com aqueles que não têm nada de "manés"
Somente manezinhos
Avisa lá pra Joaquina
Que ainda tem muita onda para surfar
Mas não precisa de tanta água
A ilha já se formou, Hercílio
Da magia que é a terra
Da beleza das modelos
Se melhorar, estraga
Já está bom demais, não precisa piorar

"Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair mas parar..."

A súplica, outrora cearense,
Agora é catarinense
Talvez do mundo inteiro
E muito deste mineiro
Hercílio, faça a ponte
Devolva-nos um belo horizonte
Faça o molhado secar...

(Angelo Portilho)
Minha resposta

Se a chuva parasse agora
e o sol desse ares de graça
secando o solo e restabelecendo o chão
em um barco eu sairia mar afora
com as ondas batendo na proa
e o vento desmanchando meus cabelos.

Se as águas fossem embora
e tudo voltasse ao normal
eu iria até a costa da Lagoa
saltaria do mais alto trapiche
e mergulharia o mais fundo que pudesse
até ficar completamente sem ar
voltaria à superfície
e dividiria com as gaivotas
o ar santificado da encosta.

Se o vento levasse embora
todas as nuvens carregadas de chuva
eu correria na avenida das rendeiras
e faria da Lagoa da Conceição
meu lugar mais que sagrado
e na montanha mais alta eu subiria
só pra poder mandar pelos ares
uma mensagem a um poeta
que divide comigo seus versos
e nos meus dias de chuva
comigo ele compartilha
os raios de seu mineiro sol.

(Lou Witt)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Poeminha de amor

Teu abraço tem o calor
do sol nascente pela manhã
e o aroma do café recém passado.

Teu beijo tem o gosto
do mais puro mel
e o frescor gostoso da hortelã.

Teus olhos são como faróis
que me iluminam
e me penetram por inteira.

Tuas carícias são beijos de colibri
que carrega consigo
o doce néctar das flores.

Tua presença preenche meus dias
como a terra que cobre a semente
para depois fecundá-la.

Teu amor é como a imensidão
do misterioso infinito onde me perco
e não quero mais me encontrar
.

sábado, 15 de novembro de 2008

O mar
O mar que me cerca
tem montanhas e rochedos
e lindas praias de areias brancas.
Tem ondas e espumas com sal
e tatuíras que correm rápidas
e se escondem ao sinal de passos.
O mar que me banha
tem o cheiro do verão
e o gosto do tempero da vida.
Tem o azul que reflete o céu
no espelho das águas
límpidas e transparentes.
O mar que me saúda
tem o amor puro de Deus
e o sopro da brisa matinal.
Tem os mais diversos peixes
que dividem comigo
um pedacinho da imensidão.
O mar que eu amo
tem ondas que me abraçam
e águas claras que me lavam.
Tem encantos que só eu sei
e conchas que me trazem
seus segredos e mistérios.

domingo, 26 de outubro de 2008


Para aqueles que sabem que o coração é bem mais que um músculo bombeador de sangue...

Diz a ciência que o coração
é um órgão muscular oco
que se localiza no meio do peito.
Poeticamente eu diria
que o coração é uma represa
que comporta sentimentos
e às vezes fica tão repleto
que nos dá a impressão
que o espaço dentro do peito
ficou pequeno demais.
Nessas horas não conseguimos pensar
e nem dar razão à ciência
ouvimos o que ele nos diz
e sabemos que ele bate
descompassado e nada oco.

Lou

°°°

Se o coração batesse mais
Não apanharia tanto
Seria um músculo bombado
Quem sabe, anabolizado
E sem razão, pobre coitado
Como bate naquela cadência
De um garoto que, sem paciência,
Nos empurra rumo ao abismo
Abismo que nem sempre é queda
Que nem sempre é pesar
Abismo que as vezes é o risco
Que encontramos ao amar
E o que somos sem riscos?
Ilustres coadjuvantes
Cabeças cheias de razão
Emoções insignificantes
Melhor o músculo fraco
Apanhando dentro do peito
Que o valente batendo insensato
Ao contrário, no lado direito...

Angelo Portilho

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Algo assustador acontece dentro de mim
como uma tormenta
uma enxurrada de coisas incontroláveis
e nada que eu faça diminui
esse vento de transformação.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Só mais um sonho
Tenho muitos sonhos
e entre tantos sonhos loucos
tenho um que pode parecer simples
mas talvez seja um dos tantos
impossíveis de realizar.
Sonho com uma linda cortina
de varias contas penduradas
que balançam quando o vento bate
e brilham quando o sol entra.
Sonho simples alguém diria
talvez até um pouco bobo
é só juntar um dinheirinho
ir a uma loja e comprar
a linda cortina de bolinhas.
Ledo engano digo eu
para quem tem em casa
e jamais conseguiria viver sem
três sapecas e arteiras GATAS!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um caldeirão de magias
onde borbulham ervas e aromas
numa poção embriagante.
Uma caixa de giz de cera
onde as cores brincam e bailam
formando matizes perfeitas.
Um arco-íris novinho
pintado no céu de anil
anunciando uma nova era.
Um jardim de muitas flores
onde as borboletas pousam
e os colibris beijam o néctar.
Assim eu te vejo e te sinto
assim eu te quero e te amo.

sábado, 4 de outubro de 2008

Às vezes sopra um vento
assim sem que se espere
e varre nossos caminhos.
Nunca gostei de ventos fortes
mas eles gostam de mim
e sempre me acompanham.
Quando me refaço de um
outro vem
e me desfaz novamente.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nas minhas crises de lucidez é que me sinto mais perdida.
Eu prefiro ser louca do que ter essa certeza absurda de que a vida passa sem razão.
Quero perder a razão.
Quero ir para um lugar sem nome onde eu possa viver sem me importar com nada.
Onde o raciocínio seja ilógico e a razão perdida.
Quero viver sem passado e sem futuro para nunca mais ter crises de lucidez.
Tenho instinto felino
gosto de afagos
de ronronar
de lambidas
de ficar na boa
feito gata.
Mas cuidado, sou esperta
tenho unhas afiadas
e ao menor sinal de perigo
não hesito.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Floripa
Ilha da magia
Ilha de encantos, de lendas e mistérios
de sambaquis e praias de areias brancas
por ti me apaixonei e aqui fiz minha morada.
Teus fortes com canhões antigos
que guardam da guerra vestígios e segredos
conservam-se imunes ao peso do tempo.
Tuas lagoas de águas serenas e mar azul
onde os barcos navegam e as crianças brincam
com castelos de areia e mundos encantados.
Ilha dos contos de Franklin Cascaes
que dá vida a seres misteriosos:
boitatás, lobisomens, fantasmas.
Das bruxas que dão nós em crinas de cavalos
e que voam em suas vassouras mágicas
mar afora assombrando pescadores.
Ilha das tradicionais rendeiras e da velha figueira
do boi de mamão com sua maricota
de braços longos e pernas compridas.
De montanhas, praias e gaivotas
de brisa perfumada e sol dourado
de ondas que beijam com sal e espuma.
Onde em noites de eterna magia
reflete nas águas a forma da lua
que formosa brilha e se rende
aos encantos da ilha.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Saudades de Karola

Lembra do tempo em que tudo o que nos separava era um pilar que ficava em nosso meio e nos impedia de ver uma a outra?
E quantas vezes eu falava sozinha pensando que você estava ali e você tinha saído, e quando você voltava eu te contava e morríamos de rir?
E quando falávamos em código e só nós duas entendíamos, lembra?
Era só alegria quando compartilhávamos o dia.
E nos horários do almoço quando inventávamos rituais de beleza? Pegar altos trânsitos só pra tirar a sobrancelha lá na Palhoça. Banhos de câmara de luz para ficar bronzeada. Eu fiquei indignada, pois só eu fui considerada “branca”, você e as outras meninas eram, “beges”. Que palhaçada! Eu louca pra ser moreninha e o máximo que consegui foi perder o branco OMO.
E quando jurávamos que íamos fazer uma alimentação balanceada: frutas, granola, iogurte e no dia seguinte já estávamos no Café Paris tomando Capuccino com torta recheada. Hummm, que delícia!
E os recados por e-mail ou pelo msn quando era uma coisa que não podia ser falada na hora, mas que não podia deixar de ser falada? E como fazer pra segurar o riso?
Hoje aquela sala não é mais a mesma sem a tua presença.
Não tenho mais crises de risos nem como tantos doces.
Não tenho mais a cumplicidade das brincadeiras nem compartilho o comprimido de dor de cabeça.
Não saio mais no intervalo do almoço para ir ao shopping rir das senhorinhas supostamente grávidas ou para provar roupas só de bobeira.
Você agora não trabalha mais na mesa ao lado, quando só um pilar nos separava. Você está a 10km de distância e só nos vemos de vez em quando, mas as conversas no msn ainda existem, as confidências também, pois mesmo que o tempo passe, mesmo que a distância geométrica fique maior, a amizade, esta nunca morrerá, ela existirá para sempre e você continuará sendo, para toda vida, a minha alminha gêmea.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

No céu azul uma pipa laranja
em quatro mãos uma linha
em dois corações um sonho
uma pipa laranja no céu azul.
Olhos de gato
manhas de preguiça
eriçar de pêlos
roçar de malícia
unhas de destreza
ronronar de conquista.
Pulou sorrateiro
roubou meu coração.
A vida é um eterno jogo
o que difere uns dos outros
é a forma do jogar
mas uma coisa é certa:
quem não joga
perde!

sábado, 6 de setembro de 2008

Às vezes parece
que tudo ao redor se apagou
nada mais importa
a noite escura chegou
e o mundo fechou a porta.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Crônica de um adeus

Dezenove horas do dia vinte de agosto de 2008. Acaba-se uma vida, ou um estágio dela, quem poderá saber, quem nesta vida poderá afirmar alguma coisa?
1200 km me separam do último adeus àquela que um dia me trouxe ao mundo.
Algumas coisas a serem resolvidas antes, tudo sob controle, o tempo seria suficiente, era só manter a calma, guardar as lágrimas para mais tarde e segurar o coração dentro do peito. Foi melhor assim, ela já não estava vivendo uma vida digna de ser vivida. É preciso acreditar nisto e parar de roer as unhas antes que sangrem. Um banho antes de seguir caminho e um susto: o sangue escorrendo pela narina, uma veia rompida, nada grave, um chumaço de algodão, tudo resolvido.
O escuro da estrada, o caminho era longo. A neblina cobria tudo e era preciso cautela. Na madrugada a chuva, um caminho errado, três horas de atraso. Maldição! Não daria mais tempo. Palavras de ira saiam como raios de minha boca. Estaria Deus me testando? O que Ele estaria pretendendo de mim?
Vamos voltar. Jamais chegaremos a tempo.
Vamos prosseguir, eu nunca desisti de nada no meio do caminho.
O marcador apontava 140, 150, 160 km p/hora, nunca em sã consciência eu andaria em um carro com aquela velocidade, mas se ele pudesse voar eu agradeceria.
Era preciso chegar até as 15 horas, os minutos voavam e os quilômetros se estendiam, parecia um daqueles sonhos em que não conseguimos sair do lugar.
Algo dentro de mim continuava a dizer que não daria tempo, mas a esperança desmentia e falava que sim.
Exatamente 14h58m chegamos.
O carro havia sido dirigido por um anjo e guiado por Deus.
O caminho que segui então, me pareceu tão ou mais longo do que a estrada que havíamos percorrido. Meus pés pareciam acorrentados. As pessoas me abraçavam, muitos eu nem lembrava quem eram, mas se estavam ali, eram parentes ou amigos, pessoas queridas. Consegui entrar em uma sala e só então o avistei. Ele estava em pé, ao lado do caixão. Abracei meu pai e choramos. Só depois vi o corpo sem vida de minha mãe. Estava coberto de flores amarelas e brancas, sob o peito um lencinho branco que combinava com seus cabelos. Em seu rosto Deus havia colocado a imagem da paz. Finalmente ela estava em paz.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Braços e abraços
e diante de mim
a solidariedade do mundo.
Quem disse que o amor está em desuso?
Lágrimas compartilhadas
sofrimento repartido.
Quem falou que a dor
não pode ser dividida?
Não quero o exílio interno
quero a fraternidade oferecida.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

De folhas orvalhadas
e caule sem espinhos
como mudas de alecrim
ou um jasmineiro em flor
é assim que me sinto
quando penso no amor.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A vida às vezes me parece um parque de diversões
uma montanha russa com looping alucinante
uma roda-gigante com um doce passeio aéreo
um trem fantasma com monstros que assustam
ou um giratório e repetitivo carrossel.
Uma engrenagem intermitente
com pequenos intervalos
de pipoca e algodão-doce.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Você me encanta!
Tens um encanto que me seduz
e tudo o que há de perfeito
me faz lembrar de você:
a fina areia da praia num dia ensolarado
a leve brisa no romper da aurora
o suave bater das asas da borboleta
o doce beijo dos colibris
o delicado aroma das flores
a pura essência da vida
e a encantadora magia dos sonhos.
E quando fecho os olhos
sinto os teus braços em minha volta
e o toque dos teus dedos
a passear pelo meu corpo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Te sinto em cada movimento
na brisa que toca em meu rosto
no vento que balança meus cabelos
no sol que aquece minha pele
na água que banha o meu corpo
nas roupas que me vestem
e nos pensamentos que me despem.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Essa postagem foi inspirada na minha querida e recente amiga Tania, que vive atualmente uma linda e provisória saudade, de um amor distante.

A saudade quando se sente, vai queimando o peito da gente, apertando tanto que parece que ficamos pequenos demais quando ela se agiganta.
Existe a saudade sofrida, aquela que a gente acha que não vai acabar nunca, é aquela saudade de alguém que foi embora para sempre. Essa é a pior das saudades. É a saudade eterna, saudade que só não mata porque somos teimosos, porque se dependesse dela, ah, pode ter certeza de que mataria.
Mas nem toda a saudade é triste. Existe a saudade do amor que está distante, mas que vai voltar. Dá pra imaginar seu abraço de retorno, seus beijos quentes, suas palavras, sua presença viva. Essa saudade também dói, mas dói diferente, é uma dor com gosto de volta, uma dor com fim predestinado e a aceitamos até como uma benção pois sabemos que ela só existe porque é fruto de um grande amor.
Só quem sente uma grande saudade, sabe o que é acordar na madrugada e sentir ao lado, como uma leve brisa a presença de quem não está, respirar o ar da noite como se absorvesse o perfume que o vento trouxe como por encantamento. Nada mais sublime do que sentir essa saudade. Temos até a ilusão de que a pessoa amada esteve ali por um instante, um breve instante, deixando dentro de nós a certeza de que logo, sua presença será real, aí antão, a saudade é que se tornará pequena até não mais existir, dando lugar aos afagos sonhados, aos beijos tão esperados, ao amor eternizado.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um pássaro
uma gaiola
uma prisão
e o mais triste
o que mais dói
é que ele canta.
Não seja feliz com o canto triste
de um animal engaiolado.
Não aprisione!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vem
vamos correr à beira-mar
sentir a areia por entre os dedos
o sal na boca e as ondas na pele
vamos fazer castelos
e brincar de magias
atirar garrafas com mensagens ao mar
e escutar o canto das sereias
vou te falar das coisas
que tenho guardadas
te dar mil beijinhos
e te contar meus segredos
eu vou juntar pra você
lindas conchas do mar
e esperar anoitecer
pra te dar de presente
as estrelas do céu.



Paixão Explícita
Gato travesso que pula no muro
me diz bem ligeiro
de quantas matizes é feito teu pêlo?
De quantas estrelas
roubaram o brilho
e agora cintilam pra sempre
em teus lindos olhos?
Me diz por que em noites
de lua tão cheia
tu foges pra longe
e não mais te encontro
oh gato matreiro?
Gato faceiro
de língua que banha
de unhas que arranha
não vivo sem ti
e embora eu bem saiba
da tua esperteza
te cerco de mimos
pois quando ronronas
quietinho na cama
esqueço tuas manhas
e tuas costumeiras trapaças
e fico encantada a te contemplar
oh gato manhoso.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ao poeta
Vi uma luz que vinha em minha direção
de intenso brilho e variadas cores
dependendo da forma como eu olhava
tinha o azul do céu
ou o vermelho do sol
a doce cantiga dos anjos
ou sonoras melodias de amor
se eu olhasse com mais cuidado
poderia até ver
meninos correndo em desatino
atrás de uma pipa
ou até mesmo
um riacho da minha infância
onde eu nadava sem medo do perigo
vi por um instante
assim de relance
a face do homem
que mágico e rapidamente
voltou a ser encanto.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

... Lua, eu me rendo aos teus encantos

foto da lua cheia - 18/07/2008
Quando olho para o céu e vejo a lua cheia, redonda feita bolacha maria, daquelas que minha mãe comprava quando eu era criança, só que com mais brilho e muito, muito mais esplendor, fico imaginando como sou ínfima e miúda.
Neste imenso universo de estrelas e cometas, de mundos que nem em sonhos ousamos conhecer, a lua majestosa, se impõe como rainha, e quando é cheia então nem se fala, o céu é todo dela, tudo ao seu redor é coadjuvante.
Não é de se estranhar que lobos uivem, homens se transmutem em lobisomens, fadas voem com seus pozinhos encantados, bruxas confabulem com seus caldeirões de poções mágicas, amantes se entreguem na mais lasciva das paixões. Tudo é possível quando no céu tem pendurada, uma esplendorosa lua cheia!

E quando Armstrong pisou na lua e flutuando na imensidão daquelas crateras disse: “Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigante para a humanidade”. Será que por ventura, daqui da terra, avistávamos no céu uma hipnotizante lua cheia?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

me falas de beijos e flores
de pássaros que voam no azul do céu
me falas de sonhos e cores
de sinfonias de anjos
me falas de amores
de tantos amores
que até acredito
que sou uma fada
e num passe de mágica
no mais longo beijo
no mais terno abraço
deliro e me entrego aos teus encantos
sem querer mais voltar pra vida
sem querer mais sair dos teus braços

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Saudade é queijinho...
saudade é bichinho voraz
que rói o peito da gente
e sem a nossa permissão
vai comendo de mansinho
e quando percebemos
nosso coração já ta todo furadinho
igualzinho queijo suíço!

Ai, como dói!

terça-feira, 8 de julho de 2008

o espaço que me separa de você
é tão grande
que milhas de infinito
eu teria que percorrer pra te achar
da mesma forma é tão pequeno
que basta um sopro
pra que eu sinta teu respirar...