quinta-feira, 30 de abril de 2009

lou de lualua nova,
não me deixes assim minguante
sejas em mim crescente
no instante em que nascente
enluaras o meu peito

lua nova
mostra tuas caras
minguantes
crescentes
nascentes

lua nova
de um terço
de um meio
de um quarto
nasças em mim
venhas minguar minha vida
venhas crescer o meu amor
oh lua

poesia inspirada na poesia de Lou

sergio, beija-flor-poeta

sábado, 25 de abril de 2009

MღRtHღ
Entre physalis
tâmaras e lichias
eu te encontro
porque és assim
vida exótica
e especial.

Entre sorrisos
abraços e sentimentos
eu te recordo
porque te vejo assim
acima do bem
e do mal.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

À espera do Anthony
A partir de hoje todos os dias, minutos, horas e segundos serão de ansiosa espera.
Todos meus pensamentos, energias e orações serão para ti.
Cada dia será um dia a menos em que meu coração apertado no peito me dirá que as horas são eternas enquanto você não chegar.
Peço para que Deus seja bondoso e te traga saudável. Peço com lágrimas de esperança e fé e sei que minhas preces serão ouvidas.
Fico imaginando o dia de sua chegada, não sei como vou segurar a emoção, nem vou. Risos e lágrimas virão com certeza.
Bracinhos, perninhas, rostinho, corpinho todo, tudo pequeno, tudo delicado feito um anjo.
Um anjo em minha vida.
Vinte e dois dias é o máximo que falta.
Vinte e dois dias de espera, ou talvez menos, para que finalmente eu possa te segurar em meus braços e te colocar bem juntinho do meu coração.
Neste dia em que a chuva cai
silenciosa e mansa
a saudade me cerca de todos os lados.
Saudade de coisas e gentes
de amores passados
guardados no tempo.
Saudade de tudo que já foi um dia
e que não é mais hoje
e que nunca mais será.
Saudade boba que me maltrata
e que chegou neste dia
só por culpa da chuva.

domingo, 19 de abril de 2009

Existe muitas formas de reagir a uma dor. Algumas pessoas trancam-se dentro de si mesmas e fazem de seu sofrimento um martírio tão profundo que a vida torna-se completamente sem sentido. Outras, porém revestem-se de uma força que talvez nem mesmo sabiam que poderiam ter. O que difere umas das outras é um grande mistério. Por quê diante da dor alguns esmorecem e outros se agigantam?
Isso tudo é para falar de uma pessoa espetacular que não por acaso se auto denominou Felina. Felina não somente na feminilidade, mas na garra tão peculiar que os felinos possuem.
Felina Pantera, nickname muito próprio. Quem a conhece sabe disso é só olhar para seus lindos olhos verdes para perceber a pantera que ela traz dentro de si.

Felina Pantera, mesmo que em alguns momentos seja preciso guardar as garras e apenas ronronar, tenho certeza que tua força estará contigo, porque um felino tem instinto de sobrevivência e é um lutador nato, pode até ficar sem unhas, mas é astuto e nunca foge.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vento SulBateu um vento sul
aqui no litoral
invertendo as ondas do mar
varrendo as ruas
derrubando folhas
levantando saias
despenteando cabelos.

Um vento de respeito
pescadores não vão pescar
gaivotas abaixam a cabeça
pássaros se escondem
peixes somem da superfície
roupas não ficam nos varais.

Ele não se demora muito
mas vai deixando seu rastro
faz o sol ficar mais tímido
e esconde a lua nas nuvens
mas já faz parte da vida
dos manés que moram aqui.

E me incluo, feliz e despenteada!

Você já sentiu o coração
crescer dentro do peito
assim num repente
que parece que o espaço
é pequeno para ele?
Pois o meu às vezes
faz isso comigo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

EsperançaDias calmos
um barco no mar
um vento que sopra leve
quase nada se move
não é preciso pegar o leme
apenas deixar
que a mansidão comande.

Sentimentos brandos
quietude
um mar sem ondas
um céu sem nuvens
um murmúrio de esperança
e um doce
balanço de ninar.

A alma se aquieta
no infinito azul
o horizonte é perto
a pressa não existe
o barco navega devagar
as mãos soltas ao vento
o coração aberto à vida.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Uma janela para HelôÉ preciso que exista uma janela
no quarto para que à noite
debruçada possa roubar
um raio da lua
e de dia para o sol entrar faceiro
e banhar o gato
estendido no parapeito.

Todos os dias é preciso uma janela
para se ter a perspectiva
de coisas novas
de horizonte que desponta
lá longe onde nasce o dia
e cá dentro
onde mora a esperança.

Dida, Neguinha e Penélope

Desde pequena convivo com gatos, sempre tive um ou mais, a companhia deles me é imprescindível. Quando criança, era uma briga constante, gatos encontrados na rua eram sempre levados pra casa.
Os gatos são autênticos, encantadores, apaixonantes, mas também são espertos e astutos.
Na minha casa, tem uma janela que nunca se fecha, é a entrada e saída de minhas gatas. Elas têm território livre pra irem e virem à hora que quiserem. É de costume um gato estranho também entrar e muitas vezes acontecer uma briga. Geralmente encontro coisas quebradas dentro de casa, móveis arranhados, sofás com fios puxados, isso é completamente normal quando se tem gatos. O que eu não gosto, e isso acontece às vezes, é chegar em casa e encontrar as penas de um pobre passarinho pela casa toda, ou os restos de uma indefesa lagartixa.
Coitadinhos!
Fico com uma dó!
Gatos malvados!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tempo de sonhar

Naquelas manhãs
podia-se ficar à janela
só para ouvir o canto dos pássaros
e piscar só de vez em quando
para não perder o voo das borboletas.

Naquelas tardes
as horas eram de se arrastar
para ter bastante tempo
de dizer qualquer palavra que fosse
e que coubesse dentro dos minutos.

Naquelas noites
era possível ver o clarão da lua
pela fresta do olho
e escutar o som do universo
ao nascer das estrelas.

Naquele tempo
era permitido usar giz de cera
nos dias para não serem cinzas
e fragmentos de estrelas
nas noites para serem prateadas.

Naquele tempo
era tempo de sonhar.

ASSOMBRAÇÃO BCDEFGHMNRST
No caminho da escola tinha um mato e a lenda de uma assombração.
Ia para a escola com o irmão e como não havia outro caminho precisavam atravessar o mato.
Então fizeram a combinação de nunca olharem para trás e assim era feito diariamente até que um dia a curiosidade de criança foi maior e não resistindo olharam.
O irmão que era mais velho assustado jurou ter visto a assombração e ela em sua imaginação e por crer nele, também acabou vendo.
Resultou que correram tanto, mas tanto que chegaram à escola de língua de fora e coração na mão.
Nada disseram a ninguém.
E todos os outros dias continuaram a atravessar o mato, só que nunca mais atreveram-se a olhar para trás.

sábado, 4 de abril de 2009

Estrelas nos olhosEmbaixo da lua
a estrela pingava
no olho alegria
e no escuro da noite
a menina sonhava
com brilho nos olhos.

E os sonhos caiam
do céu em torrentes
enchendo seu peito
que de tão pequeno
ficava apertado
tão cheio de sonhos.

Mas por um momento
menina adormece
o tempo aproveita
e quando ela acorda
virou gente grande
sem pingos de estrelas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Na noite o silêncio fala
no peito
o coração não ouve

Naquele tempo

A vida parecia feita de sonhos e brincar. Perto da casa havia muitas pedras e valia fazer delas diversos brinquedos.
Só não valia jogar pedra nos passarinhos.
Passarinhos era bom de ouvir cantar e tinham uma melodia de fazer criança feliz.
Cachorro era companheiro de jogar bola, ficava sempre no gol tentando não deixar a bola passar, só não chutava.
Escola era tão longe de casa e meio de transporte eram pernas que de tão acostumadas nem doíam, até gostavam.
Em companhia do irmão ia, ia, ia, só lembra de ir, não lembra de voltar, talvez porque voltar não fosse tão bom.
Gostava de um menino que lhe parecia um príncipe, mas que na verdade era até feio, bom, nunca se preocupou com aparências, o olhar importava mais.
Quase de noite, bem à tardinha não queria mais brincar. Queria ficar embaixo da mesa e ouvir a oração da Ave Maria de tanto que gostava. Aquela Maria devia ser encantada para merecer tão linda canção.
Nunca esqueceu nada, nem as pedras, nem as flores, nem a oração de Maria.
O dia raia
na janela
depois da noite
o sol clareia

quinta-feira, 2 de abril de 2009

AmareloNa janela um sol
semidourado
no jardim uma flor amarela
Girassol!
Em seu rosto um meio sorriso
amarelo
algo assim para combinar
com o amarelo do dia
que poderia ser azul
ou lilás talvez
mas que teimosamente insistia
em ser
irremediavelmente
amarelo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A vida é belaA vida é graciosa
como o andar de um felino
e seu ronronar manhoso.

A vida é leve
como uma pluma que flutua
com um simples assoprar.

A vida é gostosa
como a tão desejada
última bolacha do pacote.

A vida é preciosa
como uma jóia rara
guardada a sete chaves.

A vida é linda e frágil
não ande por ela como se fosse
um elefante em uma loja de cristais.
As pequenas coisas às vezes tem um valor imensurável. Um gesto, uma palavra apenas pode mudar todo o curso de uma história e para sempre o destino de uma vida.

sábado, 28 de março de 2009

Acordar tarde
maionese, macarronada
passeio no parque
crianças felizes
pipoca, algodão doce
cães nas ruas com os donos
gatos que ronronam ao sol
descompromisso
preguiça

é domingo!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Se acaso a tristeza não existisse
seriam mais brilhantes os dias
e mais iluminadas as noites
seriam doces as lágrimas e de alegrias
seriam firmes os passos e de contentamento
seria escancarado o sorriso de Maria.


OutonalQuando chegam os dias de outono
o sol começa a deixar seu calor em outras terras
e as árvores dão ares de amarelo nas folhas
deixando no chão seus vestígios e desenhos
o entardecer adianta suas horas querendo virar noite
tudo o que está ao alcance de meu olho
dá a sensação de renascer, de transmutar.
Das feridas caem as cascas iguais às árvores
o vento varre as dores junto com as folhas
e as manhãs nascem mais amenas e calmas
e as noites chegam mais serenas e frescas
e todos os dias vivem de se refazer.
Quando chegam os dias de outono
meu coração vira menino que brinca
e manda embora todas as certezas
e se desfolha
e se joga ao chão
para ser varrido pelo vento.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Palavras
Palavras são pássaros que pousam
nas páginas que alguém lê
Palavras são bálsamos que curam
a dor que alguém sente.
Palavras são flores que perfumam
São cores que alucinam.

Mas muitas vezes
palavras são flechas
que ferem sem dó.
São fogos que queimam
deixando corações em pó.

Palavras às vezes são
palavras que não deveriam ter sido.





E na noite uma estrela cadente
rasgou o céu.
E no coração o amor nasceu como criança.
E um brilho novo aconteceu
nos seus olhos de luar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

AOS POETAS

A todos os poetas de verdade
que trazem a poesia na alma
que dizem o que vem do coração
e usam a palavra para encantar.

Aos verdadeiros poetas
que falam de amor e esperança
e transformam um simples ato
num ritual de magia e sonho.

Aos que escrevem por prazer
que dão vida ao impensável
e que vão além das fronteiras
do previsível e esperado.

Poetas de sonhos e fascínios
de amores e mil paixões
que sem limites de palavras
dão todas as cores ao mundo.

domingo, 15 de março de 2009

Fiz um achado de palavras
e amarrei com um laço de fitas
coloquei flores de margaridas
e perfume de frutas cítricas
soprei um beijo no canto
e um segredo escondido
escrevi teu endereço
depois joguei tudo ao vento.

Espero que tenha recebido.

Que seja ardente como o fogo
forte como uma rocha
brilhante como um clarão
intenso como a luz do dia
pacífico como o breu da noite
florido como a primavera
ensolarado como o verão.
Que seja de perto
que seja de longe
que seja antigo
que seja recente
que seja do jeito que for
mas que seja amor.


sábado, 14 de março de 2009

As horas chovem minutos
sinto nas paredes o acúmulo do tempo
e aqui dentro de mim
meu coração a chover lágrimas
Poeminha doce e bobinhoEu imagino a vida
como uma fabrica de doces
bombas de chocolate
que explodem na boca
jujubas coloridas
que saltam pelos olhos
bolas de algodão doce
que derretem nos dedos
pipocas de caramelo
que saltitam no estomago
doce de maria mole
que balança nas mãos
bala de menta fresquinha
que adormece a língua
e brigadeiro de panela
para lambuzar a tristeza.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A lua nua faz festa no céu
e quando eu a olho aqui de longe
cobre-se de nuvens
e me deixa a ver estrelas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Siri BoboPisei na areia
siri veio morder meu pé
ah siri bobo
divide teu mar comigo
pois se você ficar aí
dando sopa
alguém te pega
e você vira almoço
então sai correndo
anda logo
que esse pedacinho de areia
eu já escolhi pra mim.
Às vezes me sinto como estrada
quando está sendo colocado alfalto.
Aquela coisa quente e o compressor passando por cima.
Comparação besta, mas é assim que me sinto às vezes.

domingo, 8 de março de 2009

Boneca de milho

Quando criança espigas de milho eram perfeitas para fazer bonecas.
Perdia-se no milharal a escolher a de cabelo mais longo e loiro que se parecesse talvez com o seu, herança genética!
Nada era mais encantador do que uma linda boneca de milho e jamais, jamais em hipótese alguma passava pela sua cabeça que milho era alimento e milharal não era fábrica de bonecas.
Vida de interior é assim, qualquer coisa ganha vida nas mãos de crianças famintas de brincar. Abóboras, pedras, flores e claro as lindas espigas de milho.
Não existe limite de criação quando se tem um vasto campo de liberdade e um mundão de sonhos ao alcance de uma criança.
Mas um dia lhe foi apresentada a cidade grande e uma fábrica diferente de bonecas de verdade. Ela olhava as bonecas e não via a beleza e nem o brilho nos cabelos igual as que havia deixado lá longe em seu milharal. Mesmo com braços e pernas não tinham tanta graça. A menina não quis mais brincar de boneca.
Hoje a menina virou mulher e quando vê uma espiga de milho pulando em uma panela fervente, sabe que as bonecas da infância agora são seu almoço de praia.

sábado, 7 de março de 2009

Um desassossego me bate assim por acaso
coisa de apertar o peito e doer até os ossos
algo que comprime a alma e não deixa espaço
penso que é dor de descaminhos, de passos ermos
de linhas mal traçadas que por ventura
se fizeram minhas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O lago

Costumava nadar em um lago que tinha perto de casa.
Nadar não é bem a palavra certa, pois nem nadar sabia direito.
Lembra nitidamente do lago.
Uma tábua que dava para atravessar de um lado para o outro e muitas árvores ao redor.
O lugar era até perigoso de se ficar, mas isso nem passava pela sua cabeça e nem pela cabeça das outras crianças que iam lá brincar.
O lago não era mar, mas era bom de ficar dentro dele até enrugar os pés e fingir ser peixinho de lago do meio do mato.
Equilibrar-se em cima da tábua até cair. vuuuuuuaaaa
Roxo nas pernas e joelhos machucados era normal devido aos escorregões.
Mas relógio do tempo passou tão ligeiro
menina deixou o lago e foi para longe.
Ah, será que lago do mato secou e morreu?
Ou ainda guarda pernas sapecas de meninas que sonham
com pedras e sapos de beira de lagos???
Sentiu a areia entre os dedos
e a água a molhar os pés.
Um leve vento que vinha do sul
balançou seus cabelos
e o cheiro do mar entrou
docemente em suas narinas.
Um sirizinho enfiou-se num buraco
e uma gaivota mergulhou
e trouxe no bico um peixe.
Ouviu o barulho das ondas
quebrando na praia
e sentiu a espuma branca
beijando suas pernas
num ritual de ir e vir
de bater e deixar seu sal.
Ao longe um barco e uma vela
e sonhos que voaram
e foram além do infinito.
E no peito um sentimento aflorou
e foi apertando como braços
e invadindo como posseiro.
incomensurável
pungente
infinitamente
saudade!!!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Às vezes é preciso
deixar que o vento desmanche
o castelo de areia na praia
para perceber que ele não tinha alicerce

terça-feira, 3 de março de 2009

Dá licença dona morte, vou falar de você

Falar sobre a morte é estranho, ou parece ser, mas não deveria ser.
A morte pode assustar, mas para mim particularmente ela tem sido até camarada. Tenho lembranças amenas de sua passagem em minha vida: avós que morreram de velhice, um bebê que já nasceu bem dodói e que não vingou, animais que se foram. A respeito dos animais tenho uma leve tristeza, bem leve, por conta da morte de um cãozinho que catei na rua e o alimentei tanto que veio a falecer de congestão, mas para compensar salvei outros tantos e limpei minha consciência. Recentemente a morte levou minha mãe e penso que no tempo oportuno. Causou-me dores naturais e sem traumas.
Penso que ela tem muitas faces e às vezes é um tanto traiçoeira, chega sem aviso e prematuramente devastando corações. Dizem que nunca vem sem ser sua hora, mas em certas ocasiões acho que sua hora é antecipada pelos atos inconseqüentes dos humanos. Não sei se estou certa, mas é isso que acho.
Aceitar a morte de alguém que já cumpriu sua missão é um ato que devemos aprender a praticar e saber distinguir quando é essa hora também. De nada vale chorar rios de lágrimas por alguém que se foi porque realmente deveria ter ido. É inútil e desnecessário. A aceitação muitas vezes precisa ocupar o lugar do egoísmo. Egoísmo sim, por querer ter a pessoa junto, por não saber viver sem sua presença.
Há pouco tempo vi uma pessoa ser mantida viva por alguns meses somente para satisfazer alguns que necessitavam de sua presença. Vamos brincar de Deus?
Algumas pessoas encaram a morte de forma até engraçada. Uma conhecida minha soube que a mãe morreu só um mês depois. Um primo morreu de diabetes e a mãe dele logo em seguida morreu de desgosto. O irmão revoltado matou o vizinho e o pai de tristeza está quase indo para a cidade dos pés juntos. Ela assiste tudo de longe sem derramar uma lágrima. Faces da morte!
Outras pessoas já sofreram tanto que se eu tentar me colocar no lugar delas penso que não aguentaria. Por isso é que sempre digo, dona morte sempre foi boazinha comigo!!!

domingo, 1 de março de 2009

No quarto um espelho
guarda uma pluma
e um óculos azul de festa
vestígios de uma noite
de música e alegria
mas ali no quarto
falta o sorriso
e o barulho da festa
falta o brilho do olho
dentro do óculos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu queria ser Manoel por um dia

Há pouco tempo fui apresentada a Manoel de Barros quando ganhei de minha amiga Helô um livro, na verdade não é bem um livro, Memórias Inventadas vem em caixinhas, com folhas soltas que dá mais magia a autobiografia do poeta. Ao ler a primeira página eu logo pensei: Vou devorar! É assim que sempre faço quando gosto de uma leitura, devoro! Ledo engano. Manoel é para ser lido devagar, degustado, saboreado, uma página por vez para que as palavras sejam absorvidas, tragadas, beijadas, acarinhadas. Encantei-me por Manoel! Apaixonei-me! E pensei: Como pude viver sem ele até hoje? Sem suas palavras de encantamento e sua mágica poesia? Por onde andava Manoel que não cruzou meu caminho antes?
Ao continuar a leitura minha interação foi tanta que por vezes tive a impressão de estar ligada a seus pensamentos e eu quis ser Manoel por um dia, então eu escreveria como ele e seria imortal, apenas por um dia. Ah, mas quanta ousadia!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Lua nova que novidade me conta?
Como está tudo aí em cima?
Passa ano e entra ano
e você aí sempre tão novinha.

Lua crescente que linda
parece sempre tão risonha
toda vez que te olho imagino
que é para mim esse teu sorriso.

Lua cheia que pomposa
te admiro e fico a pensar
que lua mais exibida
que cheia, que maravilha.

E tu triste lua minguante
não venha minguar minhas noites
que passe logo a tua fase
e que volte a lua nova
com novidades.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

De quantos sóis é feito um coração?
O sol ameno do outono
que amadurece os frutos
e seca as folhas das árvores.
O sol acolhedor do inverno
que vem depois da chuva
enxugando o chão e as lágrimas.
O sol quente do verão
que chega trazendo vida
e aquecendo corações.
O sol intenso dos teus olhos
que me olham docemente
e brilham por trás do vidro

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Que o amor não me torne menor
nem me cause danos.
Que o amor não me traga mágoas
nem arrependimentos.
Que o amor não me aprisione
nem me feche os olhos.
Que o amor sempre me engrandeça
e me faça melhor.
Palavras
Palavras a esmo
jogadas pro nada
vazias, perdidas
mal direcionadas.
Palavras ligeiras
sem graça, apressadas.
Palavras profundas
marcantes, faceiras.
Palavras de encanto
risonhas, certeiras.

Palavras que sempre revelam
quem por trás está delas.

E você, que uso faz
de suas palavras?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009



Feijão preto no prato
fumacinha saindo de tão quente
lembra da minha infância
no prato o feijão era farto
misturado com farinha
que eu comia inocente
e a vida era linda
e tão somente minha.
Eu vejo poesia nas coisas belas
nas coisas tristes
e até nas coisas sem sentido.
Eu vejo poesia nas pessoas
em suas palavras e gestos.
E quando a vida se torna
um tanto sem graça
trato logo de enfeitá-la com poesia
para que as coisas fiquem mais leves
e para que não existam lacunas
entre meu mundo louco
e o das pessoas que amo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Passeio
O barco segue pela costa da lagoa
no céu desenhado de nuvens o sol clareia
e no mar azul as ondas batem no barco
marolando e deixando um rastro de espuma.
Se a sorte estiver a meu favor
encontrarei no caminho algum golfinho
e mais adiante descerei na costa
e saltarei de algum trapiche
onde as águas serão tão claras
que verei os peixinhos nadarem
e dividirei com eles um pedacinho do mar.
Verei muitas gaivotas, com certeza
e aventureiros saltando de asa delta
colorindo e dando mais beleza ao céu
misturando o voo dos pássaros
com a ilusão do voo dos homens.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Entardecer
Um sol de entardecer pintava o horizonte de vermelho e a frente da montanha um V de pássaros dava ao cenário um ar bucólico e paisagístico. Acima das cores que se misturavam em vários tons de vermelho um céu azul quase cinza anunciava que em breve a noite chegaria com seu breu, estrelas, lua e sonhos. Entardecer, horário de vácuo em que o dia morre à espera da noite. Lembra-me sempre uma canção que quando criança embaixo de uma mesa ouvia: Ave Maria! A mais linda canção entoada em meus ouvidos de menina. Se fechar os olhos por um instante retorno àquele tempo e a canção volta. Ave Maria! Mas o entardecer é breve, breve e lindamente triste.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

karoleando Ela chegou assim iluminando
e aquela sala que era triste
logo foi karoleando.
E pra tudo era uma combinação
enxaqueca no mesmo dia
Essa não! Que maldição!
E tínhamos tantos segredos
que se fosse pra contar
ah, nos faltariam dedos.
Música de Zeca Baleiro
Calma Alma Minha
Calminha!
Mas um dia ela se mandou
e a sala deskaroleou
meu coração só chorou.
Hoje em seu lugar tem a Samantha
gente boa, gosto dela
mas a saudade de Karol ainda é tanta.

Karol, Karolina
mulher com alma de menina.
Abaixo da janela da avó
tinha um pé de brincos de princesa.
Nunca antes vira flor tão linda.
Sonhava em ser grande
ter brincos como aqueles
e quem sabe ser princesa.
Cresceu e mudou o gosto
pelos brincos.
E quanto a ser princesa
ah, sonhos de menina!
Pensei assim de um estalo como foram criadas as palavras.
Desde que fui alfabetizada não lembro de nem uma palavra
nova ter sido inventada.
Será que todas as palavras foram inventadas de uma só vez?
Tipo assim um Big Bang de palavras?
Disposta a satisfazer minha curiosidade resolvi consultar o senhor Google que desfez foi a minha ignorância.
Me informou que vez ou outra palavras novas são inventadas sim,
nós é que somos descuidados as usamos e nem percebemos.
Em 1998 a Academia Brasileira de Letras lançou um vocabulário com termos que estão em uso e que não eram oficiais, alguns deles bem conhecidos nossos: deletar, teleconferência, acerola, Internet, scanear, mouse.
Até corei de vergonha! Ainda bem que estava do lado de cá da telinha.
Hehehehe

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dó maior, pena que toca
Música triste ouvida no peito
Lá, bem longe, lágrimas correm
Se, somente se, você não está
Me faz uma falta enorme
Com o meu canto vejo o sol brilhar
Reanimo, reacendo, reativo
Fácil se fazer notar

(Angelo Portilho)

Mas veja, Dó maior é apenas uma nota
e tantas outras notas existem
que formam cantos e encantos
que mesmo à longa distância
corações ouvem e notam
que a dança da vida não é feita só de Dó
mas também de faceiros
Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si

(Lou Witt)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O suplício de uma noite mal dormida

Na noite que passou dormir foi coisa difícil de fazer onde eu me encontrava por uma razão bem simples: Um maldito filho de chocadeira, vou classificá-lo desta forma para não ofender sua querida mãezinha que talvez não tenha culpa de ter um filho assim, as mães nem sempre são culpadas pelos atos paranóicos e delinqüentes que os filhos cometem, se bem que na maioria das vezes tem uma parcela bem grande de responsabilidade, mas não vou entrar nesta questão agora, vim aqui falar foi do infeliz que não me deixou dormir escutando uma maldita música gospel/baiana/axé/funk e sei lá mais que mistura era aquilo a noite toda. Me pergunto até agora como um ser vivente pode ter ouvidos para agüentar tanta poluição sonora. Pois aquele serzinho teve. Também não sei o que me fez pensar que a pessoa seria alguém do sexo masculino, poderia ser uma moçoila assanhada sassaricando a noite toda e deliciando-se com os prazeres lúbricos e carnais e provavelmente no outro dia enquanto eu estaria ralando ela estaria estatelada em sua cama dormindo que nem uma macaca gorda, mesmo que não fosse gorda. Ah, que suplício! Meus olhos secos e arregalados pareciam duas bolas de gude que de tanto os meninos jogarem perdem todo o brilho.
Costumo dormir pouco, seis horas por noite no máximo e quando algo tira meu sossego na manhã seguinte fico um trapo, um verdadeiro bagaço chupado de laranja. Mas o dia necessita ser vivido e o trabalho ser feito. Treinamento pela manhã. O que esta mulher está falando? Será que meu raciocínio foi embora junto com aquela maldita música gospel/baiana/axé/funk e sei lá o que mais. Na parte da tarde treinamento novamente. Um cochilo básico, com olhos de bola de gude e fui pega com uma perguntinha: - Você não acha? Claro, com certeza! (não faço a menor idéia com o que concordei).
E o restante da tarde misturei-me com os papéis de cima da mesa e foi uma confusão total.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Esta vida é mesmo muito matreira
quando pensamos que está nos dando uma rasteira
está nos presenteando com uma tremenda oportunidade
só é preciso estar atento irmão
olhos abertos
coração manso
e mente ligeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Gosto de sonhar com céu azul
e lindas nuvens de algodão.
Com sol que brilha e pássaros
que voam quase até o infinito.
Gosto de sonhar com beijos
e abraços de um amor gostoso.
Gosto de sonhar com anjos
e amor fraterno entre os homens.
Com a paz reinando no mundo
e a felicidade de dias tranqüilos.
Gosto de sonhar coisas que desejo
e que nem sei se vou realizar.
E quando eu não mais puder
sonhar com tudo isto
não quero mais estar neste mundo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

A menina sonhava
em ser gente grande
ganhar o mundo e ser feliz.
O tempo passava tão lento
e a menina ansiosa aguardava.
Finalmente cresceu
e o tempo passa tão rápido
ela agora sonha inverso
quer voltar a ser menina
e novamente ser feliz.