segunda-feira, 22 de julho de 2013


Menino que cheira cola
E que dorme embaixo da marquise
Tua cama é um jornal
Teu alimento é a fome
A fome de vida

Lou Witt


Um Blues na noite fria

Um Blues
Um edredom
E meu amor
pra me esquentar

O Blues
faz minha cabeça girar
Encosta teus pés nos meus
que a noite está fria

Lá fora o sereno ofusca o luar
e as estrelas se escondem
Toque-me com calor
não quero frio

Se quiser me faça um chá
Puxe o edredom
Deixe o Blues tocar
que a noite é longa...

Lou Witt

segunda-feira, 15 de julho de 2013



Sonhei que escrevia algo belo
Sonhei e acordei banhada de luz

Lou Witt
Existe um muro
E por detrás do muro
Um mundo
Coisas acontecem do lado de lá
Eu espio com cuidado
Não quero assustar os passarinhos
Nem interromper a aurora de luz
Na claridade vejo um gato abanando o rabo
Um cão de olhos brilhantes
E uma criança em toda sua inocência
Parece que nasci hoje
E contemplo tudo pela primeira vez
E na diversidade das coisas
Vejo a perfeição da vida

Lou Witt

sexta-feira, 12 de julho de 2013



Fale baixinho, não assuste os sonhos que repousam docemente na inocência dos corações.
Veja quanta claridade existe por entre as sombras e entenda que os homens de bem se fortificam até do sopro incandescente com o qual os dragões tentam cegar as almas desatentas.
Venha, vamos ver o mundo onde a esperança se sobrepõe às dores.
Não escute o gemido do vento quando estiver carregado de lamentos e tristezas, sinta apenas a brisa que acaricia nossas faces, ela nos fala da vida e da energia que transmuta o universo.
Bem sabemos que por vezes o mal tenta falar mais alto, mas não deixemos que ele seja nosso guia e comande nossos sentidos.
Vamos olhar o horizonte que parece tão distante e acreditar que num simples passo ele possa nos pertencer.

Lou Witt
O que é a vida sem o aconchego de um abraço?
O que é a vida sem o sal do mar, sem o sol na terra, sem as cores que o mundo derrama sobre nós?
O que é a vida sem o encanto da poesia?

Lou Witt




E no caminhar do tempo
Vai-se o poeta
Ficam as palavras
Balançam leves como plumas brancas
Transpassam céus, montanhas e mares
Fazem morada nos corações daqueles que acreditam na magia dos sonhos.

Lou Witt

quarta-feira, 13 de março de 2013



Segure minha mão, não faça barulho, escute meu coração que agora é só teu.
Não me convides para sair à rua, há tantos ruídos lá fora e não quero que me invadam.
Desejo que meus olhos registrem apenas a tua imagem e que o meu sentimento de amor inunde teu ser e te preencha.
Fique aqui, não deixe que teu cheiro se confunda com tantos outros que nada me dizem.
Não dê ouvidos aos rumores da rua, ouça a minha respiração e o ritmo com que meu coração bate.
Tranque a porta, jogue fora a chave e fale bem baixinho para que nem as paredes possam ouvir.
Amanhã você pode arrombar a porta e ganhar o mundo, mas hoje, apenas hoje, que não exista nada além de nós dois.

Lou Witt

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

De domingo a domingo



Sempre amei os sábados mais do que os outros dias.
Sabia no meu íntimo que os outros seis ficavam enciumados.
Sempre detestei as segundas e tinha certeza de que ela sabia tão bem disso que sempre dava um jeito de ser desagradável.
Hoje cada dia que vivo é um dia novo e não importa o nome que ele tenha.
Segundas, terças, sábados... todos são igualmente importantes e tiro deles o melhor que posso e dou a eles o melhor de mim.
Percebo que eles sabem disso, pois me retribuem com carinho.
Melhor assim, evito discriminação e ciúmes.
Os dias são sábios e exigem muito de nós e é prudente que tenhamos um bom relacionamento com todos eles.

Lou Witt 


Poemas nascem das mãos
como pássaros de longas e brancas asas.
São carícias, pétalas de flores,
brisa que chega delicada,
como um beijo em nossa face.

Lou Witt

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013



Gosto da chuva quando bate na calçada.
Ploc...Ploc...
E os pingos se esparramam pelo chão.
Gosto também de pensar que eles se dão as mãos
E se tornam uma coisa só.

Lou Witt


Se meu olhar às vezes parece perdido é porque ainda estou me encontrando neste mundo de tanta diversidade.
E se o silêncio for meu companheiro não se aflija, é porque como indivíduo humanamente falho estarei refletindo sobre as incontáveis maneiras de tentar ser melhor.

Lou Witt

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013



Hoje eu acordei querendo
Toda a intensidade da vida
Todo o mar
Todo o vento que soprar a meu favor
Quero a liberdade das almas brancas
E todas as cores que tem o mundo
Se houverem lágrimas
Que sejam de purificação
Se houverem dores
Que sejam de aprendizado
E que meus dias sejam feitos de amor
Amor incondicional
Amor ao próximo
Ao planeta
A existência de tudo quanto é vivo
A toda a energia que move o universo
E que meu coração seja livre e sereno
E que minha mente seja equilibrada e justa
Porque meu corpo é o que me adorna
Mas o que me move é o espírito

Lou Witt

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013



A tempestade de ontem havia sido negra, feroz como mil panteras. Como todos os dragões que cospem fogo na terra do faz de conta.
Rasgou as vestes do dia, lavrou o peito, arou sentimentos.
Feriu o inconsciente, o subconsciente, tremulou toda a estratosfera.
Imensidão... espaço sem fim.
E ela a andar... trôpega, frágil... a andar.
Ontem foi enfim assim, em fim.
E nasceu outra aurora, outro sol, outra claridade. Como se um raio cortasse o horizonte abrindo um rasgo onde os olhos quase se perdem.
Cavalos brancos.
Vestes brancas.
Mar azul.
Uma estrada sem muros e o susto da liberdade, quase, mas nem tanto tardia.
Um tropel de anjos pedindo licença para entrar.
Harpas, violinos e um som quase inaudível, um som novo, e um medo, um medo cego do novo.
O mundo já não era mais o mesmo.
Não existiam mais castelos de areia, nem a ordem mecânica das coisas.
Algo havia se rompido.
Ela estava nua, despojada de toda a vestimenta que a encobria até os olhos.
Estava nua e ao mesmo tempo tão pura.
Ela já não era mais ela.
Ela era o mundo.

Lou Witt

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013



Coração igual tambor
tum tum tum no peito bate
Quando o compasso do tempo
Vai sulcando seus caminhos
Não existe hora parada
Nem ponteiros que regressam
Deixa que bata o coração
tum tum tum
Deixa que bata

Lou Witt

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Existe um sol todos os dias embora nem sempre eu o veja.
O dia nasce... o pássaro canta...
A mão gigante de Deus pousa sempre em minha cabeça,
mesmo que eu não a sinta.
O outono é sempre outono quando as folhas caem
e sempre haverá um inverno antes da primavera.
É a lei da vida, o compasso do mundo...
O universo vibra, transmuta, se renova...
A esperança baila na aurora dos dias.
E passam luas
E dias renascem
O vento varre... a ferida vai secando...
A vida pede uma nova chance
E todas as orações se fazem canto
Das pedras a areia
Das dores o alento
Da solidão a entrega
Do extremo da dor
A um novo tempo de fé e esperança.

Lou Witt

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Uma brisa tênue
Quase um sopro
Quase névoa
Breve
Breve
Tocou-me leve
E desapareceu
Ficou um cheiro
Indefinível
Quase esperança
Quase paz
Uma promessa

Lou Witt

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


FELIZ CIDADE... FELIZ IDADE... FELICIDADE???

Como diria Leminski hoje acordei bemol.
Essas noites que me vem acontecendo são de puro e natural entorpecer.
A escuridão já não me sufoca e sim me abraça.
As noites dotam-se de um respeito profundo e até os móveis fecham os olhos para nem sequer ver o meu sono.
O mundo acorda e eu saio paras as ruas debaixo de um sol quase inteiro.
Essa calma de pensamentos, esse caminhar sem sombras, quase letárgico, me movimenta com o corpo e a alma leve.
Um pássaro canta, não, vários pássaros cantam. Deve ser bom viver pássaro. Se me for permitido um dia quero ser um. Ter os braços em forma de asas e a fala em forma de canto.
Mesmo que a vida seja mais breve ainda acho que vale a pena e as penas.
O mundo acorda e me vejo diante da claridade, não apenas a claridade do dia, mas a claridade da vida e o que sinto não é nem de longe euforia.
É uma paz desconhecida, uma calma sutil e inesperada, uma ausência de dor de alma – esta mesma que costumava doer de tanto doer.
Como de costume passei protetor solar. Sou de uma brancura alvejante e até já aceitei isso, não fico mais exposta ao sol com a intenção de mudar de cor, afinal, não sou camaleão. Queria era ser pássaro.
Hoje acordei bemol e então fico a me perguntar: Será isso a felicidade?

Lou Witt

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012



Para onde vão os sonhos?

Onde se perdem os beijos que nascem em manhãs onde o mar é tanto?
Para que mundo distante fogem as promessas e os planos sonhados a quatro mãos e um olhar?
Para qual universo longínquo e inviolável viajam as horas de alegrias?
Hoje quando a areia passa por entre meus dedos e escorrega e foge de mim como todos os sonhos, eu tenho a leve impressão de que o tempo vivido não passa de uma ilusão.
E neste pensamento tosco deixo escapar o que move a minha vontade.
O que me impulsiona para a vida.
E passo a acreditar que sonhos são apenas desejos.
De visionários...
De poetas...
De loucos!!!

Lou Witt

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

~~~ O medo faz do ranger do assoalho
o assombro de mil fantasmas ~~~

Lou Witt
Quero escrever todos os poemas bobos de amor
Deixar o sentimento transbordar em forma de versos
Quero tocar o céu em pensamentos
E pisar em brancas nuvens
Quero acordar em madrugadas calmas
E fazer poesia sem compromisso com as palavras
Porque como já dizia um grande poeta
“todas as cartas de amor são tolas”

Lou Witt

quarta-feira, 14 de novembro de 2012



Atravessei desertos e abismos
Comi o pão dormido
Bebi a água do deserto
Sangrei quase até a última gota
Quase morri quando nasceu o desespero
E tantas luas se passaram
E tantos dias renasceram
E o vento foi varrendo
E a ferida foi secando
A vida pediu uma nova chance
E todas as orações se fizeram canto
Das pedras a areia
Das dores o alento
Da solidão a entrega
E das linhas retas e previsíveis
A um mundo novo de possibilidades

Lou Witt

Eu entendo o amor que sinto
Sei onde ele nasce e por quem ele vive
Sei dos meus desejos e das minhas fomes
Sei dos meus medos e sei da minha força
Sei do hoje
Do que pulsa em mim agora
Desta vontade de te envolver
De te mostrar o que está além da minha fragilidade
De te fazer acreditar que o meu mundo é o mesmo que o teu
E que é nele que te encontro...
Que me encontro...
E que apesar das pedras
Eu consigo plantar flores
E que além de tudo
E acima de tantas coisas
É nos teus olhos que eu me vejo
E me perco tantas vezes
Somente para me encontrar de novo

Lou Witt
Fale das coisas do mundo
Dos lugares onde teus olhos pousam
E encontram detalhes que por vezes não vejo
Conte-me das cores que você encontra
Em cada esquina
Em cada escada coberta de pétalas
Em cada muro de portões antigos
Leia pra mim sempre um poema
Uma frase
Uma passagem de um livro
Um escrito teu que estava guardado
Qualquer coisa que não seja o silêncio
E dance comigo qualquer música
E cante comigo qualquer canção
E me receba sempre com teu sorriso
Porque somente assim
As cores que você vê no mundo
Serão as que me enfeitarão os olhos

Lou Witt


Sobre o amor e suas peculiaridades

Descobri que o amor é imperfeito, que amar é imperfeito.
Que somos seres imperfeitos na busca de algo perfeito. Algo que não existe.
O dia a dia nos ensina.  A vida nos ensina.
O cotidiano nos mostra isso o tempo todo, pena que nem sempre temos a capacidade de ver.
Vivemos a procura de um amor de sonhos.
Um amor feito de poesias e belas palavras.
Sentimos até o cheiro do amor-conto-invenção.
Vivenciamos esse amor na nossa busca insana pela perfeição, pelo sonho das mil e uma noites.
Em nossos mais loucos delírios idealizamos a pessoa alvo do nosso amor supostamente perfeito como a oitava maravilha do mundo e baseados nessa expectativa “caímos de paraquedas” e vendados num campo desconhecido e louco do qual sequer conhecemos a porta de entrada e nem em sonhos (ou pesadelos) sabemos por onde caminhar.
Mas fazemos poesia, porque poesia é preciso.
E a noite quando olhamos nossas paredes, quase sempre pintadas de branco (porque não ousamos jogar uma tinta colorida), os tantos sonhos nos enfeitiçam e temos novamente a certeza de que o mundo das ilusões vai pular da fantasia e passará a fazer parte da nossa realidade.
Ledo engano. Nada acontece.
Então chegamos à conclusão de que estamos lendo demais contos e lendas, histórias da carochinha, faz de conta com finais felizes.
Esquecemos que o amor é um construir diário, que as imperfeições é que nos fazem gente, que ser gente é ser passível de imperfeições.
Voltamos nossos pensamentos a um mundo tão cheio de ilusões e esquecemos de segurar a mão do ser lindamente imperfeito que pode estar ao nosso lado.
Mas se tivermos sorte e aquele algo mais sussurrar em nossos ouvidos nos dizendo que o amor é também o acordar descabelado e com olheiras, que é a roupa suja pra lavar, o almoço, a janta, a desordem da casa, as contas a pagar, então poderemos nos considerar imperfeitamente em estado de amor.
E apesar disso
E tão simplesmente por isso
Continuaremos a fazer poesia.

Lou Witt

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Adoro teu jeito de me pegar pela mão e me puxar contra teu peito me envolvendo de uma forma que parecemos apenas um.
Adoro teu sorriso solto e a tua risada escancarada.
E o teu sotaque de gringo e das palavras que vez ou outra escapam erradas.
Adoro quando passas a mão displicentemente pelos cabelos e quando pronuncia o meu nome sempre em meio a alguma frase.
Adoro quando me faz uma sopinha quente no inicio da noite ou um chazinho quando já estou deitada.
E quando faz coisas engraçadas e eu desembesto a rir e não consigo parar.
Adoro teu beijo, teu cheiro, teu calor embaixo das cobertas.
Teus pés quando roçam minhas pernas e tuas mãos quando brincam em minha pele.
Adoro nossos passeios e quando me faz caminhar até cansar e quando nos sentamos em qualquer lugar e comemos qualquer coisa.
Adoro a paz que tenho contigo.
Adoro o amor que nos faz ser o que somos.

Lou Witt


Neste mundo de tantas palavras
não encontro  as exatas pra te dizer do meu sentir.
Do meu coração carregado de saudades
e do quanto te procuro pelos cantos da casa.
Das tantas vezes que te encontro
no cheiro que ficou em cada roupa,
em cada móvel, em cada espaço.
Na música que toca lenta
na penumbra do quarto
e que me faz sentir e entender
que não existe tempo nem distância
que possa te tirar de dentro de mim.

Lou Witt